
Painel do IBCC Oncologia no 13º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer discute como a interdisciplinaridade pode transformar a jornada de pacientes submetidos a tratamentos de alta complexidade
Em tratamentos de alta complexidade, como os realizados na Onco-hematologia, o sucesso não pode ser medido apenas pela resposta da doença. A segurança durante o tratamento, a prevenção de complicações, a qualidade assistencial, o acolhimento, a recuperação e a possibilidade de retomar a vida também fazem parte do resultado esperado pelo paciente.
Essa mudança de perspectiva está no centro do conceito de sucesso do paciente, que amplia a tradicional avaliação da experiência do paciente. Enquanto a experiência está relacionada à forma como a pessoa vivencia o cuidado, o sucesso considera aquilo que esse cuidado efetivamente produz em sua jornada e em sua vida.
É essa discussão que o IBCC Oncologia levará ao painel “Onco-hematologia 360º: o Papel da Interdisciplinaridade no Sucesso do Paciente”, durante o 13º Congresso Todos Juntos Contra o Câncer (TJCC). O objetivo é mostrar, a partir da experiência de diferentes especialidades, como Medicina, Enfermagem, Terapia Intensiva e Psicologia precisam atuar de forma coordenada diante de terapias como o transplante de células-tronco hematopoéticas e o CAR-T Cell.
“Quando falamos em sucesso do paciente, não falamos apenas dos resultados clínicos. Destacamos principalmente a humanização, a qualidade de vida e o acolhimento”, afirma Dr. Roberto Luiz da Silva, médico hematologista e responsável técnico do Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia.
Alta complexidade exige um cuidado integrado
Na prática, a interdisciplinaridade começa antes mesmo do tratamento. A incorporação de novas tecnologias, por exemplo, exige protocolos, treinamento e preparo das equipes para que diferentes profissionais estejam alinhados diante de uma mesma jornada.
“Quando a gente incorpora novas tecnologias em um hospital, precisa olhar 360 graus para todos os pormenores. É necessário preparar protocolos, treinar a equipe e fazer com que todos estejam olhando para o mesmo sentido. Não dá para pensar em uma linha de cuidado fragmentada”, explica a enfermeira Alessandra Barban, coordenadora assistencial do Departamento de Transplante de Medula Óssea, Terapia Celular e Multidisciplinar do IBCC Oncologia.
O CAR-T Cell é um exemplo dessa complexidade. A terapia utiliza células do próprio sistema imunológico do paciente, modificadas para reconhecer e combater células tumorais, e exige acompanhamento especializado ao longo de todo o processo. Nesse cenário, a atuação coordenada entre as equipes torna-se parte do próprio cuidado.
A mesma lógica se aplica quando surgem complicações que exigem suporte intensivo. Pacientes onco-hematológicos podem apresentar condições relacionadas à imunossupressão que demandam monitoramento específico. No IBCC Oncologia, esse atendimento inclui uma UTI (Unidade de Terapia Intensiva) dedicada a esse perfil de paciente.
“Esses pacientes podem evoluir para complicações clínicas que são raras na população em geral. Ter uma UTI dedicada faz com que a equipe conheça profundamente as peculiaridades desses pacientes e os ajustes necessários no tratamento. Mas nosso objetivo não é que o paciente permaneça na UTI. É uma unidade de suporte, de passagem, para que ele possa se recuperar e seguir com sua vida com mais qualidade”, explica Dr. Felipe Botelho, médico diarista da UTI Hematológica do IBCC Oncologia.
Outro aspecto dessa jornada é o Patient Blood Management (PBM), estratégia que busca preservar o sangue do próprio paciente, identificar e tratar a anemia e utilizar transfusões de acordo com a necessidade clínica. Na Onco-hematologia, onde o sangue e a medula óssea estão diretamente relacionados às doenças tratadas, essa abordagem ganha relevância.
“Fazemos de tudo para preservar o rim, o fígado e o coração. O sangue também precisa ser preservado. O PBM busca justamente gerenciar o sangue do paciente, cuidar para que ele permaneça saudável e utilizar a transfusão quando realmente houver necessidade”, explica Dra. Maria Cristina M. Almeida Macedo, médica hematologista e coordenadora do Departamento de Transplante de Medula Óssea do IBCC Oncologia.
Quando diferentes áreas cuidam do mesmo paciente
Mas o sucesso também passa por dimensões que não aparecem nos exames. Longos períodos de internação, afastamento da rotina, medo e insegurança afetam o paciente e seus familiares e podem interferir na forma como ele atravessa o tratamento.
“O Sucesso do Paciente tem a ver com o todo. A cura é o principal objetivo, mas o caminho para chegar até ela também importa. O paciente chega com suas crenças, seus hábitos e seus valores, e precisamos levar tudo isso em consideração”, afirma Gilmar Rodrigues, psicólogo do IBCC Oncologia.
A partir dessa perspectiva, o trabalho da Psicologia se integra às demais áreas por meio da escuta, do acolhimento e do acompanhamento das necessidades emocionais do paciente e da família. O objetivo é compreender aquela pessoa para além da doença e incorporar suas particularidades à estratégia de cuidado.
É essa conexão que dá sentido ao conceito de uma jornada assistencial 360º. O médico acompanha a evolução clínica, a enfermagem coordena cuidados e protocolos, a terapia intensiva oferece suporte diante de complicações, o gerenciamento do sangue busca preservar recursos do próprio organismo e a Psicologia considera os aspectos emocionais e subjetivos que atravessam o tratamento do paciente e de seus familiares.
Mais do que reunir diferentes especialidades, a proposta é fazer com que elas compartilhem informações, decisões e responsabilidades em torno de um mesmo objetivo: o paciente.
“Quando pensamos em novas terapias, precisamos pensar também na equipe multiprofissional e no treinamento de todos. A incorporação de tecnologia é necessária, mas exige uma equipe engajada para que o paciente receba o melhor cuidado possível”, reforça Alessandra.
Nesse sentido, o conceito de sucesso do paciente propõe uma pergunta que vai além de “o tratamento funcionou?”. A questão passa a ser também como essa pessoa atravessou o tratamento, quais resultados alcançou e em que condições consegue seguir sua vida durante e depois dele.
Painel: “Onco-hematologia 360º: o Papel da Interdisciplinaridade no Sucesso do Paciente”
Data: 30 de setembro de 2026
Horário: 16h50 às 18h30
Local: Sala Ballroom 4 | WTC Events Center, São Paulo – SP
Evento híbrido: presencial e online
Inscrições: congresso.tjcc.com.br
