Crianças com menos de dois anos que apresentam irritabilidade persistente manifestada por meio do choro, com dificuldade para sentar aos seis meses, que não conseguem engatinhar aos nove meses ou não tentam ficar em pé para dar os primeiros passos ao completar o primeiro ano de idade pode indicar a presença de tumores cerebrais.
De acordo com o Instituto Nacional do Câncer (INCA), o câncer no sistema nervoso central é o tipo mais comum da doença na população pediátrica, correspondente a 20% de todas as neoplasias na infância – superando a leucemia. A grande novidade no campo dos medicamentos para este tratamento está relacionada à medicina de precisão com drogas alvo-dirigidas e imunoterápicos (que são remédios que ensinam o sistema imunológico a atacar as células cancerígenas) para personalizar e potencializar os efeitos da quimioterapia.
“Atualmente, a quimioterapia convencional ainda é o carro-chefe, mas a tendência é que nos próximos anos os remédios alvo-dirigidos e imunoterápicos ganhem cada vez mais espaço nos tratamentos”, afirma o Dr. Iuri Neville, Neurocirurgião da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. A instituição, inclusive, acaba de ficar em 1º lugar em Neurocirurgia no ranking divulgado pela revista Newsweek.
Nos últimos anos, além do refinamento dos métodos diagnósticos que vêm garantindo a detecção mais precoce dos tumores, as técnicas cirúrgicas têm evoluído com a melhoria dos instrumentos cirúrgicos e dos sistemas de microscopia eletrônica, permitindo intervenções mais precisas e seguras. “Também têm contribuído para a melhoria gradativa dos desfechos terapêuticos os avanços dos equipamentos de radioterapia, possibilitando emissões de radiação cada vez mais exatas sobre os tumores, evitando afetar tecidos saudáveis adjacentes”, afirma Neville.
Esse tipo de tumor é caracterizado como “esporádico” pela comunidade médica, ou seja, raramente a doença é congênita. Eles se formam ao longo do desenvolvimento infantil e as causas ainda são desconhecidas. Em crianças acima de dois anos e adolescentes, o principal sintoma é a dor de cabeça persistente que se manifesta em um terço dos pacientes, seguida de vômito. Também são observados episódios de náuseas, alterações no ritmo de fala, falta de coordenação dos passos e equilíbrio – fazendo com que a criança ande com as pernas afastadas, “cambaleante”.
Outro sinal típico do problema é o aumento exagerado da cabeça, também conhecido como macrocefalia, o que torna necessária a visita periódica ao pediatra para a medição do perímetro cefálico. De acordo com o médico, a aferição é realizada levando em consideração métricas padronizadas como idade e sexo da criança. “Quando há aumento exagerado, são necessárias investigações para confirmar ou afastar a possibilidade de tumor”, explica Neville.
De acordo com o médico, os sinais e sintomas devem ser investigados por meio de tomografia, exame rápido geralmente usado em quadros emergenciais, ou ressonância magnética, que é mais detalhista e resolutiva. Já o tratamento para tumores pediátricos do sistema nervoso central, sejam eles malignos ou benignos, é feito por meio de cirurgia para a retirada total do tumor. Em casos malignos, após a realização do procedimento cirúrgico, é comum que o complemento seja feito com quimioterapia e/ou radioterapia.
Ainda segundo o neurocirurgião, a ciência ainda reúne poucos evidencias sobre os fatores que podem desencadear a formação desses tumores em crianças e adolescentes, o que dificulta o estabelecimento de estratégias preventivas. “Daí a importância da educação dos pais e da população em geral sobre sinais e sintomas da doença que indicam a necessidade de buscar ajuda médica especializada, possibilitando que cânceres do gênero sejam diagnosticados e tratados o mais rapidamente possível”, finaliza Neville.
