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Dra. Mariana Bolonhezi – Corticoide para criança

by Nelson Coelho

Corticoide para crianças: por que um medicamento tão comum ainda gera tantas dúvidas entre os pais?

Pediatra Mariana Bolonhezi explica quando o medicamento pode ser indicado, quais são os principais receios dos pais e por que a automedicação deve ser evitada

Poucos medicamentos dividem tanto a opinião dos pais quanto o corticoide. Presente no tratamento de diferentes condições que podem afetar as crianças — especialmente quadros inflamatórios, alérgicos e algumas doenças respiratórias, ele é amplamente utilizado na pediatria, mas ainda desperta dúvidas e receios sobre sua indicação, seus efeitos e a segurança do tratamento.

Para a pediatra Mariana Bolonhezi, parte dessa insegurança está relacionada à forma como o medicamento é percebido. “O corticoide não deve ser visto nem como um vilão, nem como uma solução para qualquer sintoma. Quando existe uma indicação médica adequada, ele pode ser uma ferramenta importante no tratamento. O que precisa ser evitado é o uso sem orientação ou a repetição de uma prescrição antiga”, explica.
Segundo a especialista, um dos principais pontos de atenção é a tendência de alguns pais associarem sintomas semelhantes a tratamentos iguais. Uma criança que apresentou anteriormente uma crise respiratória e recebeu corticoide, por exemplo, pode ter outro episódio com uma causa ou intensidade diferente — e repetir o medicamento por conta própria pode não ser a melhor conduta.

Nem todo corticoide é igual
Outro fator que contribui para as dúvidas é a existência de diferentes formas de apresentação do medicamento. Corticoides podem ser administrados por via oral, inalatória, nasal ou tópica, e a indicação varia de acordo com a condição que está sendo tratada.
“O tipo de corticoide, a dose, a forma de administração e o tempo de tratamento são definidos de acordo com cada situação. Não é possível considerar todos os corticoides da mesma maneira”, afirma Mariana.
A pediatra ressalta que o receio dos pais também pode ser alimentado por informações encontradas nas redes sociais, muitas vezes apresentadas sem contexto. Da mesma forma, experiências de outras crianças não devem ser utilizadas como parâmetro para definir o tratamento de um filho.

O problema da automedicação
Entre os comportamentos que merecem atenção está o uso de medicamentos que sobraram de tratamentos anteriores ou que foram recomendados por familiares e conhecidos. Mesmo quando a criança apresenta sintomas aparentemente semelhantes aos de uma doença anterior, é importante que o quadro seja avaliado: em algumas situações o corticoide pode ser indicado; em outras, não terá benefício e poderá atrasar a identificação da causa real dos sintomas.
“Na pediatria, a avaliação individual é fundamental. A mesma manifestação pode ter diferentes causas, e a conduta depende da idade da criança, do histórico, dos sintomas e do exame clínico. Por isso, não é seguro transformar uma receita anterior em uma prescrição para uma nova situação”, alerta a pediatra.

Afinal, quando os pais devem se preocupar?
Para Mariana, mais importante do que decorar quais sintomas levam ao uso de corticoide é entender que a indicação deve partir de uma avaliação médica. Em casos de sintomas respiratórios importantes, dificuldade para respirar, piora do estado geral ou outros sinais de alerta, os pais devem procurar atendimento.
A especialista também reforça que dúvidas sobre um medicamento já prescrito devem ser esclarecidas diretamente com o pediatra. “A melhor relação com o medicamento é aquela baseada em informação e acompanhamento. Os pais não precisam ter medo do corticoide, mas também não devem utilizá-lo por conta própria. O equilíbrio está em entender por que ele foi indicado e seguir corretamente a orientação médica”, conclui Mariana.

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