Home Artigo Terapia ou psiquiatria? Especialista explica por que os tratamentos podem ser complementares

Terapia ou psiquiatria? Especialista explica por que os tratamentos podem ser complementares

by Nelson Coelho


Dra. Bianca Bolonhezi esclarece as diferenças entre os dois acompanhamentos e explica em quais situações a combinação entre psicoterapia e tratamento médico pode ser indicada


“Eu preciso de psicólogo ou de psiquiatra?” Essa é uma dúvida comum quando uma pessoa decide buscar ajuda para cuidar da saúde mental. Embora os dois profissionais atuem em áreas diferentes, seus trabalhos podem ser complementares. Para a psiquiatra Bianca Bolonhezi, entender o papel de cada acompanhamento é importante para que o paciente receba o cuidado mais adequado às suas necessidades.


“Psiquiatria e psicoterapia atuam em frentes diferentes e complementares. O psiquiatra é o médico responsável por avaliar sintomas, fazer diagnósticos e, quando necessário, indicar e acompanhar o tratamento medicamentoso. Já o psicólogo trabalha o processo psicoterapêutico, ajudando a pessoa a compreender pensamentos, emoções, comportamentos e padrões que fazem parte da sua experiência. Em muitos casos, os dois acompanhamentos podem se somar”, explica a médica.


Segundo Bianca, essa visão integrada também está relacionada à sua formação em Psicopatologia Fenomenológica, abordagem que valoriza a experiência subjetiva de cada paciente. “A fenomenologia me ensina a olhar para a experiência de cada pessoa e não apenas para um conjunto de sintomas. Isso ajuda a compreender o paciente de maneira mais ampla e a pensar em um cuidado individualizado”, afirma.


Quando cada acompanhamento pode ser indicado


De acordo com a psiquiatra, a necessidade de acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou de ambos depende da avaliação de cada caso. Em situações como ansiedade, depressão, crises de pânico e outros transtornos que interferem significativamente na rotina, por exemplo, pode haver indicação para um cuidado conjunto.
“Há situações em que o tratamento medicamentoso pode ser necessário para controlar sintomas que estão comprometendo de forma importante a rotina, como alterações intensas do sono, crises de pânico ou outros sintomas que dificultam o funcionamento diário. A psicoterapia, por sua vez, pode contribuir para compreender o que está por trás daquele sofrimento, desenvolver estratégias de enfrentamento e trabalhar aspectos emocionais ao longo do tempo. Quando os dois são indicados, os tratamentos podem se complementar”, explica.
A médica ressalta ainda que não existe uma regra segundo a qual toda pessoa que procura ajuda em saúde mental precise necessariamente dos dois acompanhamentos. A decisão deve considerar os sintomas, o histórico e as necessidades individuais de cada paciente.


“Cada pessoa tem uma necessidade diferente, e não existe uma fórmula única. O importante é entender o que aquela pessoa está vivendo e, a partir de uma avaliação profissional, definir qual tipo de acompanhamento faz sentido naquele momento. Em alguns casos, a psicoterapia será suficiente; em outros, o acompanhamento psiquiátrico será necessário; e há situações em que a combinação dos dois oferece um cuidado mais completo”, conclui Bianca.

Bianca Bolonhezi é médica psiquiatra, formada pela Faculdade de Medicina do ABC (2015–2020), com residência em Psiquiatria pela Universidade de Santo Amaro (UNISA) (2023–2026) e pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica pela Santa Casa de São Paulo (2024–2025). Seu trabalho é pautado por um olhar integral sobre a saúde mental, estruturado em sete pilares que considera fundamentais: exercício físico, sono, alimentação saudável, rede de apoio, psicoterapia, espiritualidade e autocuidado e, quando necessário, medicação.

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