
Dra. Bianca Bolonhezi esclarece as diferenças entre os dois acompanhamentos e explica em quais situações a combinação entre psicoterapia e tratamento médico pode ser indicada
“Eu preciso de psicólogo ou de psiquiatra?” Essa é uma dúvida comum quando uma pessoa decide buscar ajuda para cuidar da saúde mental. Embora os dois profissionais atuem em áreas diferentes, seus trabalhos podem ser complementares. Para a psiquiatra Bianca Bolonhezi, entender o papel de cada acompanhamento é importante para que o paciente receba o cuidado mais adequado às suas necessidades.
“Psiquiatria e psicoterapia atuam em frentes diferentes e complementares. O psiquiatra é o médico responsável por avaliar sintomas, fazer diagnósticos e, quando necessário, indicar e acompanhar o tratamento medicamentoso. Já o psicólogo trabalha o processo psicoterapêutico, ajudando a pessoa a compreender pensamentos, emoções, comportamentos e padrões que fazem parte da sua experiência. Em muitos casos, os dois acompanhamentos podem se somar”, explica a médica.
Segundo Bianca, essa visão integrada também está relacionada à sua formação em Psicopatologia Fenomenológica, abordagem que valoriza a experiência subjetiva de cada paciente. “A fenomenologia me ensina a olhar para a experiência de cada pessoa e não apenas para um conjunto de sintomas. Isso ajuda a compreender o paciente de maneira mais ampla e a pensar em um cuidado individualizado”, afirma.
Quando cada acompanhamento pode ser indicado
De acordo com a psiquiatra, a necessidade de acompanhamento psicológico, psiquiátrico ou de ambos depende da avaliação de cada caso. Em situações como ansiedade, depressão, crises de pânico e outros transtornos que interferem significativamente na rotina, por exemplo, pode haver indicação para um cuidado conjunto.
“Há situações em que o tratamento medicamentoso pode ser necessário para controlar sintomas que estão comprometendo de forma importante a rotina, como alterações intensas do sono, crises de pânico ou outros sintomas que dificultam o funcionamento diário. A psicoterapia, por sua vez, pode contribuir para compreender o que está por trás daquele sofrimento, desenvolver estratégias de enfrentamento e trabalhar aspectos emocionais ao longo do tempo. Quando os dois são indicados, os tratamentos podem se complementar”, explica.
A médica ressalta ainda que não existe uma regra segundo a qual toda pessoa que procura ajuda em saúde mental precise necessariamente dos dois acompanhamentos. A decisão deve considerar os sintomas, o histórico e as necessidades individuais de cada paciente.
“Cada pessoa tem uma necessidade diferente, e não existe uma fórmula única. O importante é entender o que aquela pessoa está vivendo e, a partir de uma avaliação profissional, definir qual tipo de acompanhamento faz sentido naquele momento. Em alguns casos, a psicoterapia será suficiente; em outros, o acompanhamento psiquiátrico será necessário; e há situações em que a combinação dos dois oferece um cuidado mais completo”, conclui Bianca.
Bianca Bolonhezi é médica psiquiatra, formada pela Faculdade de Medicina do ABC (2015–2020), com residência em Psiquiatria pela Universidade de Santo Amaro (UNISA) (2023–2026) e pós-graduação em Psicopatologia Fenomenológica pela Santa Casa de São Paulo (2024–2025). Seu trabalho é pautado por um olhar integral sobre a saúde mental, estruturado em sete pilares que considera fundamentais: exercício físico, sono, alimentação saudável, rede de apoio, psicoterapia, espiritualidade e autocuidado e, quando necessário, medicação.
