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Brasil conta com cada vez mais médicos formados, mas poucos se especializam

by RcpxRaquelADM

Brasil conta com cada vez mais médicos formados, mas poucos se especializam
 
Entre 2018 e 2024, enquanto o aumento de alunos de medicina foi de 71,2%, o acréscimo percentual de inseridos nos cursos de especialização foi de 26,4%. A escassez de médicos treinados para atuar em emergências também é notória e essa discussão será levada ao 45º Congresso da SOCESP, que começa em 19 de junho, em São Paulo.
 
Anualmente, chegam ao mercado 46 mil novos médicos provenientes das cerca de 500 faculdades de medicina do país. Existe uma evidente progressão anual de estudantes – em 2018 eram 167.788 e este número foi acendendo até que, em 2024, havia 287.413 matriculados. Dados da SOCESP – Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo junto aos órgãos públicos e autarquias mostram que os registrados no Conselho Regional de Medicina do Estado (Cremesp) foram de 106.536, em 2011, para 166.415, em 2024, crescimento de 56%.

Porém, apesar de mais formados ano a ano, apenas uma parcela opta por fazer residência médica. A residência faz do médico um especialista em determinada área.  Entre 2018 e 2024, enquanto o aumento de alunos de medicina foi de 71,2%, o acréscimo percentual de inseridos nos cursos de especialização foi de 26,4%, segundo dados da Demografia Médica do Brasil, do Conselho Federal de Medicina (CFM).

“Esses números corroboram para entender porque, mesmo com a alta demanda de novos médicos, falta mão-de-obra especializada, principalmente em serviços de emergência”, conclui o cardiologista e intensivista Agnaldo Piscopo, diretor da SOCESP. Na visão dele, trata-se de um tema sensível, que merece atenção de toda a comunidade médica e, por isso, está na pauta do 45º Congresso da SOCESP, que acontece no Transamerica Expo Center, neste mês. “Será um momento importante de discutirmos com a nova geração o porquê deste desinteresse por especializações e, a partir daí, traçar estratégias que estimulem os jovens a escolherem uma área de atuação”.

A carência de médicos especialistas é particularmente sentida nos pronto-atendimentos dos hospitais. Segundo Piscopo, diferentemente da residência, que forma para uma especialidade e pode levar de dois a cinco anos, muitos cursos que gabaritam para atuar em pronto atendimento duram algumas horas ou dias. Mas nem assim há quórum. “A escassez do material humano para esta função é sentida na pele: sou cardiologista e intensivista e, mesmo depois de 35 anos de formado, ainda faço plantões em finais de semana”, declara. “Gostaria de compartilhar esta incumbência com plantonistas mais jovens e aptos a agir em situações de emergência e em salas de UTI. Mas não existe muita oferta de profissionais com este perfil.” Em contrapartida, os prontos-socorros requerem cada vez mais pessoal para a linha de frente. “Colaboradores preparados para entubar, manusear vias aéreas, ministrar droga vasoativa e interpretar eletrocardiograma, entre outras habilidades”, enumera.

 
[b]Cursos para emergências cardiovasculares[/b]

Uma das iniciativas da SOCESP em prol da capacitação foi a criação, em 2002, de seu Centro de Treinamento em Emergências. “O departamento conta com instrutores habilitados de acordo com as diretrizes da AHA  (American Heart Association), organização norte-americana dedicada à luta contra doenças do coração”, explica Piscopo. Sediado na matriz da SOCESP, na avenida Paulista, em São Paulo, o centro dispõe de tecnologias avançadas, metodologias internacionais e outras desenvolvidas na própria entidade.

Entre os cursos oferecidos – presenciais e on-line – o Curso de ACLS – Suporte Avançado de Vida em Cardiologia, destinado ao atendimento de vítimas de parada cardiorrespiratória ou que apresentam eventos cardiovasculares, como arritmias, infarto agudo do miocárdio e acidente vascular cerebral (AVC). “Médicos devidamente capacitados são imprescindíveis diante de uma situação extrema, quando não há tempo a perder: é neste momento que o preparo e a segurança destes profissionais de saúde fazem a diferença entre a vida e a morte”.

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