Home Post Refluxo, entalo e vômito após bariátrica não são normais e podem indicar necessidade de revisão cirúrgica

Refluxo, entalo e vômito após bariátrica não são normais e podem indicar necessidade de revisão cirúrgica

by Nelson Coelho

César De Fazzio é cirurgião bariátrico (Foto: Victor Moura)

Sintomas recorrentes exigem investigação especializada; adiar o tratamento, seja ele clínico ou cirúrgico, pode trazer consequências sérias para a saúde digestiva

Refluxo severo, entalos frequentes e vômitos recorrentes após a cirurgia bariátrica não fazem parte do processo e não devem ser naturalizados. Apesar disso, uma parcela significativa dos pacientes operados convive com esses sintomas por anos sem buscar ajuda, por acreditar que se trata de algo esperado. O alerta é do cirurgião bariátrico César De Fazzio, diretor do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília. “Até profissionais de saúde acabam rotulando certos sintomas como esperados, quando na verdade nenhum deles é normal depois de uma cirurgia bariátrica”, afirma.

Nem todo sintoma digestivo após a bariátrica indica um problema grave. Episódios pontuais, como um entalo por comer rápido ou um refluxo após ingerir líquido junto à refeição, geralmente se resolvem com ajustes alimentares ou medicação. A necessidade de atenção surge quando esses episódios se tornam rotineiros e passam a interferir na qualidade de vida. “Sintoma esporádico, ligado a um exagero pontual, é desconforto. Sintoma que virou hábito, que muda o jeito da pessoa comer ou viver, é sinal de alerta”, resume o profissional.

Quando o problema é recorrente, o acompanhamento médico é fundamental para a recomendação do tratamento mais adequado, que pode ser clínico ou cirúrgico. Quando a investigação aponta para uma alteração anatômica, a cirurgia revisional pode ser a solução mais indicada. Nesses casos, o foco não é a perda de peso, mas a recuperação do conforto digestivo, explica De Fazzio, especialista na realização de cirurgias bariátricas revisionais.

Nas situações que demandam operação, a correção do problema pode passar por converter uma técnica cirúrgica em outra. Quem foi submetido à técnica bypass e sofre com entalo e vômito pode, por exemplo, apresentar um estreitamento na anastomose — ligação cirúrgica entre o estômago e o intestino — ou a presença de um anel de silicone — recurso comum há cerca de 20 anos que restringia ainda mais a quantidade de comida e provocava entalo quando o paciente “exagerava”. “Antes, acreditava-se que era preciso punir o paciente que comia demais para que emagrecesse, um conceito que hoje sabemos estar completamente equivocado. A cirurgia bariátrica moderna trabalha a favor da fisiologia do paciente, não contra ela”, esclarece o cirurgião.

Os riscos de ignorar os sintomas

Adiar a investigação e a intervenção pode ter consequências sérias. O refluxo não tratado pode evoluir para esofagite grave e, em alguns casos, para o esôfago de Barrett, condição que aumenta expressivamente o risco de câncer de esôfago. O entalo crônico e os vômitos frequentes podem levar à dilatação do estômago e à perda progressiva da capacidade do sistema digestivo de movimentar os alimentos.

O médico ressalta outro impacto frequentemente subestimado. Para engolir com menos desconforto, muitos pacientes migram para alimentos mais pastosos e menos nutritivos, o que provoca déficits como anemia, perda de massa óssea e muscular e, em casos avançados, sintomas neurológicos por carência de vitaminas como B1 e B12. “O que parece um incômodo bobo pode evoluir para um problema que vai muito além do estômago. Quando bem indicada, a revisão costuma trazer alívio real dos sintomas e permite que o paciente retome uma vida normal, muitas vezes depois de anos convivendo com desconfortos”, completa De Fazzio.

César De Fazzio

O cirurgião bariátrico César De Fazzio dedica-se à área do aparelho digestivo há mais de 15 anos. Fundador do ICD (Instituto de Cirurgia Digestiva), em Brasília-DF, é referência no tratamento cirúrgico e clínico da obesidade. Com um olhar sistêmico do paciente, o especialista coordena todas as etapas do emagrecimento, integrando medicina, nutrição e psicologia em um acompanhamento multidisciplinar. Sua prática é pautada em evidências científicas, pela ética e pelo uso de tecnologia de ponta com materiais de alta qualidade em intervenções minimamente invasivas, visando resultados de longo prazo. Prioriza a segurança e um atendimento transparente e individualizado.

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