Um dos assuntos que mais gera dúvidas em gestantes e mamães de primeira viagem é o aleitamento materno. Ao contrário do que muitos costumam pensar, o processo de amamentação não é simples e intuitivo, há uma série de mulheres que, por motivos diversos e variados, passam por dificuldades físicas e psicológicas durante este período.
A enfermeira da Paraná Clínicas, empresa do Grupo SulAmérica, Andréia Hruba, é especialista em aleitamento materno e explica a importância da amamentação e os motivos dela ser tão indispensável na formação da criança: “Este é o alimento mais completo, oferece todos os nutrientes na forma e quantidade ideal para o crescimento e desenvolvimento do bebê: tem fácil absorção e anticorpos que protegem contra alergias, anemias, infecções gastrointestinais e obesidade, além de ajudar a reduzir os riscos de morte até os cinco anos de idade”.
Mas nem sempre este processo é fácil. Há uma série de pequenos problemas que podem atrapalhar a amamentação. Entre eles, os mais comuns são as fissuras nos mamilos, conhecidas como “bico rachado”, uma lesão que causa muita dor à lactante e que geralmente é ocasionada pela pega incorreta. Outras reclamações frequentes são dores nas mamas após a “descida” do leite, atraso/demora para a produção do líquido e mamilos planos ou invertidos.
Andréia explica que estas questões são comuns e que podem ser minimizadas a partir de alguns cuidados prévios: “Assim como a gestante se prepara para o parto, também deve se informar sobre aspectos ligados à amamentação para evitar que complicações ocorram. Mamilos planos ou invertidos, por exemplo, podem dificultar o aleitamento no momento inicial. Se a mãe não tiver conhecimento da técnica correta pode acabar sentindo dor e o bebe pode se cansar durante a mamada, gastando mais energia do que o recomendado”, conta a enfermeira.
Outro fator que influencia na amamentação é o aspecto psicológico. Altos níveis de estresse têm influência direta na produção da prolactina, o hormônio responsável pela produção do leite materno. Especialistas afirmam que, principalmente pós-parto, a mulher costuma estar num momento emocional muito sensível, onde passou por transformações físicas, alterações hormonais, medos, inseguranças e cobranças externas de amigos e familiares. Diante deste cenário é importante que as mamães recebam apoio e, quando necessário, busquem ajuda profissional.
Quando procurar ajuda?
Segundo especialistas, do ponto de vista da nutrição, o principal indicativo que o processo de aleitamento materno está sendo efetivo e contribuindo para o desenvolvimento da criança é o ganho de peso. Nos primeiros dias após o parto, é esperado que o bebê perca 10% do seu peso em relação ao momento do seu nascimento. Com a amamentação bem estabelecida, o ganho de peso deve ser em torno de 20 a 30g por dia nos primeiros meses de vida. Outro ponto de atenção são dificuldades e desconfortos físicos durante a amamentação: em casos de sensibilidade excessiva ou dor nos mamilos, incômodo nas mamas após a descida do leite e falta de sincronismo entre a mãe e o bebê na hora de realizar a pega e posição correta, uma especialista deverá ser procurada para auxiliar no processo.
A recomendação do Ministério da Saúde é pelo aleitamento materno exclusivo até os 6 meses de idade. Neste período, este é o único alimento indicado para a criança, salvo em casos isolados onde o pediatra pode prescrever algum reforço na alimentação do bebê. E é importante deixar claro: isso não tem a ver com um uma suposta má qualidade do leite, teoria erroneamente difundida entre muitas mães. Os problemas na amamentação costumam estar mais relacionados a dificuldades com técnica e posição incorreta.
