O alto consumo de alimentos ultraprocessados (AUP) tem sido associado ao aumento do risco de obesidade e outras doenças metabólicas, e esse padrão alimentar parece ser responsável por alterações crônicas na microbiota intestinal. O objetivo deste estudo foi avaliar associações entre o consumo de AUP com a microbiota intestinal e marcadores cardiometabolicos em mulheres.
O estudo transversal examinou 59 mulheres. Foram avaliados: consumo alimentar pela classificação NOVA, parâmetros antropométricos e metabólicos e microbioma intestinal por sequenciamento de última geração. O maior consumo de AUP foi diretamente associado à resistência à leptina, e este estudo sugere que o consumo de alimentos ultraprocessados ou de alimentos in natura ou minimamente processados pode afetar a composição da microbiota intestinal.
“Este trabalho representa o primeiro estudo de microbioma que correlacionou marcadores de qualidade da dieta, usando a NOVA, e espécies presentes na microbiota intestinal. Encontramos uma composição bacteriana diferente de acordo com o grupo alimentar preferencial consumido: alimentos ultraprocessados ou in natura/minimamente processados”, explica Dr. Marcio Mancini, endocrinologista da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia Regional São Paulo (SBEM-SP) orientador do projeto.
O maior consumo de alimentos ultraprocessados esteve diretamente relacionado à resistência à leptina em mulheres, o que prejudica o controle do apetite e pode contribuir para o ganho de peso.
