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Inteligência artificial desenvolvida por brasileiro diagnóstico de doenças neurológicas

by RcpxRaquelADM

Inteligência artificial desenvolvida por brasileiro revoluciona diagnóstico de doenças neurológicas

Ferramenta de inteligência artificial criada por pesquisador da Unicamp e apoiada pelo Instituto Paulo Gontijo identifica automaticamente o núcleo denteado do cérebro com precisão inédita, revolucionando o diagnóstico de ataxias cerebelares e colocando a ciência brasileira na vanguarda da neuroimagem mundial

Uma descoberta científica inédita liderada pelo físico-médico [b]Dr. Thiago Rezende[/b], da Universidade de Campinas (Unicamp) e colaborador do Instituto Paulo Gontijo (IPG), promete mudar os rumos do prognóstico de doenças neurológicas graves. O pesquisador coordenou o desenvolvimento de uma ferramenta de inteligência artificial (IA) capaz de identificar automaticamente o núcleo denteado, estrutura localizada no cerebelo e essencial para o controle motor e cognitivo, frequentemente comprometida em ataxias cerebelares, um distúrbio motor causado por problemas no cerebelo, a parte do cérebro que coordena movimentos, equilíbrio e postura.

O estudo, publicado em 06 de agosto de 2025 na revista Radiology: Artificial Intelligence da RSNA (Radiological Society of North America), demonstrou que a ferramenta alcança níveis inéditos de precisão, com índices de acerto acima de 0,89 (Dice score) – superando todas as soluções anteriores. Desde que foi disponibilizada gratuitamente em código aberto no GitHub (https://github.com/art2mri/DentateSeg), a tecnologia já contabiliza mais de 250 downloads por pesquisadores e profissionais de saúde em todo o mundo, consolidando sua confiabilidade e impacto prático imediato.

[b]Como a ferramenta funciona[/b]
A inovação desenvolvida por Rezende e sua equipe é prática e acessível: o código é disponibilizado publicamente e pode ser executado por especialistas em qualquer conjunto de imagens de ressonância magnética avançada do tipo QSM (Quantitative Susceptibility Mapping). Dessa forma, médicos e pesquisadores podem aplicar a tecnologia em seus próprios bancos de imagens, obtendo de maneira rápida e padronizada a segmentação automática do núcleo denteado – algo que antes dependia de longas horas de marcação manual feita por especialistas altamente treinados.

“Criamos uma ferramenta de alta confiabilidade que pode transformar o prognóstico e o acompanhamento de pacientes com ataxias hereditárias, além de permitir análises em larga escala, antes inviáveis”, explica o Dr. Thiago Rezende, considerado hoje um dos principais estudiosos de biomarcadores de imagem em ataxias hereditárias no mundo.

[b]Ciência brasileira com reconhecimento internacional[/b]
A pesquisa foi financiada pela Friedreich’s Ataxia Research Alliance (FARA), e recebeu o investimento de R$ 1,2 milhão do Instituto Paulo Gontijo (IPG), reforçando a missão da instituição de fomentar ciência de ponta aplicada ao combate da ELA e outras doenças neuromusculares.

Para a diretora executiva do IPG, Sílvia Tortorella, o projeto representa um marco para a ciência brasileira:

“O trabalho do Dr. Thiago é uma conquista extraordinária para o Brasil e para toda a comunidade científica dedicada às ataxias. Essa ferramenta coloca o país na vanguarda da neuroimagem e mostra o impacto real dos investimentos em pesquisa. Ao apoiar iniciativas como essa, o IPG reforça sua missão de promover inovação e esperança para milhares de pacientes e famílias.”

[b]Avanço em fases e próximos passos[/b]
O modelo foi treinado em imagens cerebrais de 328 indivíduos (141 saudáveis e 187 com doenças neurológicas) obtidas entre 2016 e 2023 em nove centros de pesquisa internacionais. Além do desempenho superior, a IA mostrou capacidade de generalização, mantendo alta precisão mesmo em exames de centros que não participaram do treinamento.

A pesquisa entra agora em sua segunda fase, voltada para a análise medular. O objetivo é ampliar a tecnologia para criar um pacote completo de avaliação de doenças que envolvem o cerebelo, beneficiando tanto a prática clínica quanto a pesquisa biomédica internacional.

[b]Potencial para uso no Brasil[/b]
No futuro, a ferramenta poderá ser utilizada inclusive pelo Sistema Único de Saúde (SUS), quando a ressonância magnética com técnica QSM seja incorporada à rede pública. Hoje, esse tipo de exame ainda é restrito a centros de pesquisa e hospitais de alta complexidade, mas especialistas acreditam que a adoção gradual é viável diante dos ganhos potenciais para diagnóstico precoce e acompanhamento clínico.

[b]Reconhecimento coletivo[/b]
O artigo é assinado por 41 pesquisadores de 25 instituições internacionais de referência, entre elas: University of Campinas (Brasil), Monash University (Austrália), University of Minnesota (EUA), University of Naples Federico II (Itália), McGill University (Canadá) e University of Duisburg-Essen (Alemanha), além do Instituto Paulo Gontijo (Brasil). A lista completa de autores e suas afiliações encontra-se disponível no artigo original (Radiology: Artificial Intelligence, RSNA, 2025).

“Esse é um passo decisivo para trazer a inteligência artificial ao cotidiano da prática médica em doenças raras e complexas, como as ataxias e a ELA. É ciência brasileira sendo protagonista em um cenário global”, conclui Rezende.

[b]Dr. Thiago Rezende[/b], da Universidade de Campinas (Unicamp) e colaborador do Instituto Paulo Gontijo (IPG) 

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