Fórum ABRAIDI revela uma deterioração do setor da saúde e debate possíveis soluções
A Associação Brasileira de Importadores e Distribuidores de Produtos para Saúde ([b]ABRAIDI[/b]) promoveu em 23 de abril no Instituto de Radiologia – InRad, do Complexo do Hospital das Clínicas, em São Paulo, o Fórum 2025 com a apresentação do estudo O ciclo de fornecimento de produtos para saúde no Brasil em sua 8ª edição. O evento teve o patrocínio da VIMAN Sistemas, da Diferencial Tributária e do Grupo Health Mercantil.
O presidente da ABRAIDI, [b]Sérgio Rocha[/b], apontou os números das distorções no setor de saúde, apurados na pesquisa, em patamares jamais registrados. O montante de pagamentos pendentes ou não realizados por clientes, planos de saúde ou hospitais chegou à insustentável marca de R$ 4,587 bilhões. Desse total, R$ 2,2 bilhões — valor que imobilizou 17,63% do faturamento das empresas de produtos para a saúde — estão relacionados à retenção de faturamento. As glosas injustificadas somaram R$ 229,7 milhões, e a inadimplência, R$ 2,069 bilhões. O valor global comprometeu 36% do faturamento das empresas.
“Não dá para apelar ao Papa, até porque nem Papa temos neste momento”, desabafou [b]Sérgio Rocha[/b], destacando que, ao longo dos últimos oito anos, a pesquisa com as distorções constatadas foi encaminhada para associações de planos de saúde, hospitais, órgãos de controle e governos. “Se juntarmos nossos dados com os da Anahp, a retenção chega a R$ 8 bilhões, e, se projetarmos para todo o mercado, ultrapassamos R$ 15 bilhões em cirurgias realizadas e não faturadas”, contextualizou. “O lucro dos planos de saúde, recentemente divulgado, foi extremamente elevado, e isso não se reflete em relações comerciais mais éticas com os fornecedores de produtos para a saúde”, ressaltou o presidente.
“Toda vez que encerramos um Fórum como este, já começamos a preparar o próximo. O anuário leva cerca de 12 meses entre idealização, coleta de dados e tabulação. Neste ano, tivemos uma resposta recorde, o que confere ainda mais legitimidade aos dados apresentados”, explicou o gerente executivo da ABRAIDI Davi Uemoto sobre a dinâmica da estruturação de cada edição da pesquisa anual. Ele ainda ressaltou alguns desafios do segmento, além das distorções apresentadas, como o Convênio ICMS, a internalização nos estados e a renovação no Confaz. “Precisamos trabalhar de forma coletiva no fortalecimento do grupo de OPME”, concluiu.
O evento foi aberto pelo presidente do Instituto Coalizão Saúde e do InRad, Giovanni Cerri. “A questão da saúde é um grande desafio. Hoje vivemos uma crise que sempre atingiu o SUS e agora afeta o setor privado. O problema está na sustentabilidade e, por isso, precisamos utilizar a tecnologia, que será o motor da próxima década, para melhorar o acesso da população e reduzir os custos. Precisamos fazer com que os dispositivos médicos melhorem a vida das pessoas com doenças crônicas. A agenda é extensa, complexa e desafiadora”, afirmou Giovanni Cerri.
[b]Painéis[/b]
O primeiro painel do Fórum 2025 abordou a construção de um futuro mais sustentável em relação aos aspectos econômico-financeiros do setor de dispositivos médicos. A mediação foi feita por Sérgio Rocha. A mesa contou com a participação da CFO da Arthrex do Brasil, Ana Coelho; do diretor-geral da Promedon do Brasil, Everson Soares; do COO da Braile Biomédica, Rafael Braile; e do diretor-geral para a América Latina da Bunzl, Jonathan Taylor.
O segundo painel tratou do papel da tecnologia no combate às ineficiências. A moderação ficou a cargo de Davi Uemoto e os debatedores foram o CEO da Surgical Mapp, Gustavo Veloso; o líder de Projetos e Inovação da Cortical, Luca Maggioni; o CEO da OPME Log e diretor de Relações Institucionais da Associação Brasileira de Startups de Saúde (ABSS), Michel Goya; e o fundador da VIMAN Sistemas, Sérgio Mancini.
O evento da ABRAIDI foi palco de discussões sobre planejamento financeiro. Os painelistas compartilharam estratégias para otimizar a gestão, atrair investimentos estratégicos e impulsionar a inovação em um ambiente regulatório complexo e dinâmico. Participaram do debate o CEO do Grupo Health Mercantil, Adriano Bragança; o CEO da O-Trek, Carlos Eduardo Bernini; e o diretor de Compliance Regulatório da Opera+Saúde e controller da Diferencial Tributária, José Wolnei Schwartzhaupt.
O Fórum ABRAIDI 2025 teve o apoio do Instituto Ética Saúde – IES, da Aliança Brasileira da Indústria Inovadora em Saúde – ABIIS e do Visite São Paulo, escritório de convenções, negócios e turismo. O evento integra o calendário oficial da cidade de São Paulo.
