EVALI desafia diagnóstico médico em meio ao avanço do uso de vapes entre jovens no Brasil
No Dia Mundial Sem Tabaco, lembrado no próximo domingo, 31 de maio, a Sociedade Brasileira de Patologia (SBP) reforça o alerta para os riscos do cigarro convencional e, principalmente, do cigarro eletrônico, cujo consumo cresce de forma acelerada no país, sobretudo entre jovens. Além das doenças cardiovasculares, cânceres e danos pulmonares já conhecidos, especialistas chamam atenção para a EVALI, sigla em inglês para lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos, considerada um dos desafios diagnósticos atuais na Patologia pulmonar.
A médica patologista associada da SBP e pesquisadora Dra. Renata Fragomeni destaca que a condição pode passar despercebida nas fases iniciais justamente pela semelhança dos sintomas com infecções respiratórias comuns.
“A lesão pulmonar associada ao uso de cigarros eletrônicos, chamada de EVALI, muitas vezes é de difícil diagnóstico, pois os sintomas podem ser inespecíficos, principalmente entre os jovens”, afirma a especialista.
Entre os sintomas estão tosse, falta de ar, dor no peito, febre, mal-estar, perda de peso, além de náuseas, vômitos e, em casos mais graves, hemoptise (tosse com sangue). Segundo a Dra. Renata, o desafio também está na investigação clínica, radiológica e anatomopatológica, já que os padrões inflamatórios encontrados na EVALI podem se sobrepor aos observados em pneumonias e outras infecções pulmonares.
“Não existe um marcador histopatológico único para a EVALI. O diagnóstico depende da correlação entre histórico de uso de cigarros eletrônicos, exames de imagem, exclusão de infecções e análise anatomopatológica do tecido pulmonar”, explica a especialista da SBP.
[b]Uso disseminado[/b]
O alerta ocorre em um momento de crescimento expressivo do uso de cigarros eletrônicos no Brasil. Dados recentes do Levantamento Nacional de Álcool e Drogas (LENAD III), conduzido pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), mostram que 5,6% da população brasileira acima de 14 anos utiliza cigarros eletrônicos. Entre adolescentes de 14 a 17 anos, o índice chega a 8,7%, evidenciando a popularização do dispositivo nessa faixa etária.
A SBP ressalta que, apesar da aparência moderna, dos aromas agradáveis e da falsa percepção de segurança, os cigarros eletrônicos expõem o organismo a substâncias tóxicas e potencialmente cancerígenas, como metais pesados, compostos carbonílicos e produtos químicos gerados pelo aquecimento e pela vaporização dos líquidos inalados. Estudos também apontam a presença de nicotina em altas concentrações e partículas ultrafinas capazes de desencadear inflamação pulmonar e danos celulares.
Além da conscientização sobre os riscos, o Dia Mundial Sem Tabaco também reforça medidas de prevenção e cuidado com a saúde pulmonar, como não fumar, evitar a exposição ao fumo passivo, manter a vacinação em dia, praticar atividade física regularmente e reduzir a exposição a ambientes fechados e poluídos.
A SBP coloca seus especialistas à disposição para entrevistas técnicas sobre os impactos do tabagismo e do uso de cigarros eletrônicos na saúde pulmonar, os desafios diagnósticos da EVALI e o papel da Patologia na identificação de doenças relacionadas ao tabaco e aos cigarros eletrônicos.
