.
Por que fisiculturistas usam insulina?
Endocrinologista alerta para riscos graves da prática
A morte do fisiculturista Gabriel Ganley, de 22 anos, gerou muitas discussões principalmente nas redes sociais e entre profissionais da saúde. Um debate delicado e urgente: os riscos do uso indiscriminado de hormônios e substâncias utilizadas em protocolos de performance estética. Entre elas, a insulina chama atenção pelo potencial de causar complicações graves e até fatais quando aplicada sem indicação médica.
Utilizada no tratamento do diabetes, a insulina passou a ser adotada de forma irregular em alguns ambientes do fisiculturismo pelo seu efeito metabólico e anabólico indireto. O problema é que pequenas falhas de dose, alimentação ou timing podem desencadear uma hipoglicemia severa, condição que pode evoluir rapidamente para perda de consciência, convulsões, coma e morte.
“A insulina é um hormônio essencial para a vida e tem indicação médica muito bem estabelecida no tratamento do diabetes. O problema surge quando ela é utilizada sem necessidade clínica e fora de acompanhamento médico, especialmente em contextos de performance estética ou fisiculturismo”, explica Dra. Tassiane Alvarenga Endocrinologista e Metabologista da SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
Segundo a médica, o principal risco está justamente na queda abrupta da glicose sanguínea.
“A insulina aplicada de forma exógena não possui o mesmo controle biológico fino que existe naturalmente no organismo. Ela continua empurrando glicose para dentro das células mesmo quando os níveis sanguíneos começam a despencar. E é aí que mora o perigo”, afirma.
A endocrinologista explica que o cérebro depende quase exclusivamente de glicose para funcionar. Quando ocorre uma hipoglicemia grave, o organismo pode entrar rapidamente em falência energética.
“Os primeiros sinais podem incluir sudorese, tremores, taquicardia, visão turva e confusão mental. Em situações mais graves, o paciente pode evoluir para perda de consciência, convulsões, coma hipoglicêmico e risco de morte”, alerta.
No fisiculturismo, a insulina costuma ser utilizada por atletas que buscam aumento de massa muscular, volumização e recuperação energética. Isso porque o hormônio facilita a entrada de glicose e nutrientes nas células musculares, favorecendo armazenamento de glicogênio e um ambiente metabólico anabólico.
“Tecnicamente, a insulina não é um esteroide anabolizante como testosterona ou derivados androgênicos. Mas, ela possui uma ação anabólica metabólica muito importante”, explica Dra. Tassiane.
A especialista reforça, no entanto, que o uso da substância em protocolos de performance frequentemente ocorre associado a hormônio do crescimento, anabolizantes e estimulantes, aumentando ainda mais a sobrecarga cardiovascular e metabólica do organismo.
“Performance estética não elimina vulnerabilidade fisiológica. Um corpo extremamente musculoso não significa necessariamente segurança metabólica ou cardiovascular”, destaca.
A médica também pede cautela diante das especulações envolvendo o caso do fisiculturista.
“No caso específico de Gabriel Ganley, existe uma comoção muito grande nas redes sociais e é fundamental conduzir essa discussão com responsabilidade. Até o momento, informações oficiais completas sobre a causa da morte ainda precisam ser respeitadas e aguardadas. Transformar especulações em conclusões precipitadas não é adequado do ponto de vista médico nem humano”, finaliza.
