É só pesquisar no campo de notícias do Google pela palavra hemorroidas, que aparecem os seguintes resultados:
• “Jennifer Aniston diz que creme para hemorroidas alivia olheiras… Minha melhor amiga também me disse há alguns anos que você pode utilizar Preparation H – remédio para hemorroidas – nos olhos, quando você acorda com eles inchados. É incrível…” ;
• “ ‘Prêmios são como hemorroidas. Eventualmente um imbecil ganha um’, disse ao site TMZ uma personalidade que já faturou vários Emmys, mas que não quis se identificar…” .
Certamente, quem sofre com o problema não está buscando nenhum destes resultados. Segundo o ranking anual do Google de termos de busca mais populares, “hemorroida” é o problema de saúde que atingiu a liderança das pesquisas, nos Estados Unidos, em 2012. Ou seja, é o “problema de saúde top trending”, o que significa dizer que esta busca, em particular, obteve a maior quantidade de tráfego durante um período de 2012 em relação a 2011.
Se a estimativa dos médicos estiver mesmo correta, podemos dividir ao meio a população do planeta. Metade viverá em paz, não terá surpresas quando for ao banheiro e não sentirá desconforto na reta final do aparelho digestivo. O restante irá encarar, alguma vez na vida, um problema que não mata, mas incomoda muito: as hemorroidas.
Para estas pessoas, como as hemorroidas envolvem frequentemente questões da vida pessoal, muitas vezes, a doença é percebida apenas como um assunto privado e não é normalmente discutida em fóruns públicos.
“É esta ‘natureza pessoal’ que contribui para o fracasso da divulgação de informações apropriadas para o público, para a classe política, para os profissionais de saúde e até mesmo para os meios de comunicação, que não tratam o tema como uma doença. É este tabu que gera abordagens completamente inadequadas. Já vi diversas vezes pacientes reclamarem de que seus amigos e familiares tratam o assunto como se fosse uma piada”, observa o cirurgião geral, Silvio Gabor .
Segundo o médico, há trinta anos atrás, o câncer de mama ocupava o mesmo “lugar obscuro” que as hemorroidas ocupam hoje na sociedade. As mulheres e as famílias simplesmente não falavam sobre a doença. Mas com a mobilização de inúmeros grupos de apoio e com a realização de diversos eventos públicos, o mundo inteiro sabe, hoje, que o laço cor de rosa é o símbolo internacional da luta pela prevenção e pelo tratamento do câncer de mama.
“Mulheres que antes lutavam contra o câncer de mama, em silêncio, se sentiam isoladas e ignoradas socialmente. Agora, há um diálogo mundial sobre a doença e o câncer de mama recebe recursos multimilionários, a cada ano, para o financiamento da pesquisa objetivando sua cura, o que faz com que as pacientes se sintam socialmente respaldadas”, observa Silvio Gabor.
Muitas outras doenças, hoje, enfrentam o mesmo estigma que as hemorroidas, a AIDS, por exemplo, é outro um terreno onde “tudo é segredo”. “Considero que o silêncio é uma das principais razões para que as hemorroidas ‘se mantenham onde estão’. Ao começarmos a falar sobre a questão, vamos deixar o mundo saber que os problemas dos que sofrem com esta doença são reais, afetam pessoas reais, o que provocaria um impacto muito grande nas políticas de saúde públicas. Precisamos de um efeito dominó neste sentido”, instiga o cirurgião.
Constrangimentos, sintomas…
“As hemorroidas são causadas pelo aumento da pressão nos vasos da região anal. Existem três tipos de hemorroidas: as internas, que se formam no interior do reto; as externas, localizadas perto da abertura do ânus e as prolapsadas, que tratam-se de hemorroidas internas que se exteriorizam, o que acontece em geral quando o indivíduo está evacuando numa fase inicial e podem acabar por se tornarem constantemente exteriorizadas”, explica o médico.
Além do constrangimento público, o paciente com hemorroida está quase sempre incomodado. Primeiro, ele tem a sensação que há algo errado o tempo todo. Em segundo lugar, a hemorroida coça, e em terceiro lugar, o paciente pode estar sangrando sem saber, o que pode ser muito angustiante.
Opções terapêuticas
Há uma série de opções terapêuticas disponíveis para os pacientes com hemorroidas, que podem ser aplicadas segundo as características de cada caso:
• Tratamento clínico: “Correção de vícios alimentares como a ingestão pobre de fibras e baixo consumo de água é sempre o primeiro passo. Pode-se associar grupo laxantes para melhorar o fluxo do intestino, pomadas de efeito analgésico e antiinflamatórios, e alguns remédios que coíbem a dilatação dos vasos. O objetivo é barrar a progressão das hemorroidas”, explica Silvio Gabor;
• Procedimentos ambulatorias: entram na lista técnicas à base de laser, congelamento, infravermelho e soluções químicas que contêm a veia dilatada. “Há também a ligadura elástica, que dispõe de anéis introduzidos no ânus para estrangular a hemorroida”, diz o cirurgião geral;
• Grampeamento: “alternativa à cirurgia aberta, onde extrai-se um trecho do canal do ânus e, depois, se faz uma ligação entre as duas extremidades, encurtando a extensão do canal anal. O procedimento elimina os vasos dilatados e o excesso de mucosa”, afirma Gabor;
• Cirurgia aberta: a técnica cirúrgica mais tradicional, a hemorroidectomia, opta pela remoção, via bisturi, das hemorroidas. Para afastar infecções, o médico não dá pontos nos locais abertos, cuja cicatrização pode demorar até um mês, o que é bastante incomodo e muito doloroso, principalmente nos 4 ou 5 primeiros dias;
• THD (Desarterialização Hemorroidária Transanal guiada por Doppler): nova técnica cirúrgica, exemplo de uma tendência na medicina de criar tratamentos mais rápidos e menos traumáticos, mas não ambiciona aposentar a cirurgia clássica, que tem sua indicação para alguns pacientes.
“Como o ânus é uma região altamente vascularizada, alguns vasos podem se dilatar e deformar-se, causando desconforto [url=https://www.replicauhrenonlineshop.de/]Replicauhrenonlineshop[/url] e sangramento. A nova técnica acaba com as hemorroidas longe da borda do ânus, região mais sensível à dor. Para tanto, o paciente é anestesiado da cintura para baixo. O médico introduz no ânus um equipamento dotado de um doppler, sistema que, por meio de ondas de som, detecta o vaso que origina a hemorroida. Com esse instrumento, o especialista dá um ponto com nó no vaso problemático, que deixa de abastecer a hemorroida. A cirurgia é completada com uma sutura por toda a extensão da hemorroida, que assim se reduz e deixa de incomodar”, explica o cirurgião geral Silvio Gabor.
