O Conselho Federal de Medicina (CFM) apresentou à Anvisa um pedido formal para o banimento do polimetilmetacrilato (PMMA) no Brasil, de acordo com matéria publicada pelo UOL. Amplamente utilizado em tratamentos médicos e, de forma controversa, em procedimentos estéticos, o material está associado a complicações que vão desde inflamações crônicas até insuficiência renal irreversível.
Coversarmos com Dra. Alessandra dos Santos Silva, cirurgiã plástica e craniofacial do Centro de Excelência em Medicina (CEM), para entender os riscos, a importância da regulamentação e como os pacientes podem se proteger.
Uso do PMMA: indicações médicas e controvérsias estéticas
O PMMA é um preenchedor permanente aprovado pela Anvisa para fins médicos corretivos, como em pacientes que apresentam deformidades faciais devido a traumas ou sequelas de doenças como a poliomielite. Inclusive era o material de eleição em uma alteração que é comum no HIV, a lipoatrofia facial.
“A substância tem indicações legítimas, mas seu uso exige um conhecimento técnico especializado e deve ser restrito a profissionais capacitados”, explica a Dra. Alessandra.
No entanto, a aplicação estética do PMMA, amplamente divulgada nas redes sociais, é desaconselhada pela Anvisa. Segundo a médica, essa prática expõe pacientes a riscos graves. “Muitos optam pelo PMMA devido ao custo menor e à promessa de resultados permanentes, mas não percebem os perigos envolvidos”, alerta.
Complicações e riscos a curto e longo prazos
Por ser um material permanente, o PMMA se torna particularmente problemático quando considerado em um contexto de mudanças naturais do corpo ao longo dos anos. “O corpo humano é dinâmico, e com o envelhecimento, há modificações estruturais, como perda de gordura, alterações ósseas e redistribuição dos tecidos”, explica a Dra. Alessandra. “Essas mudanças podem fazer com que o PMMA, um material que permanece fixo onde foi aplicado, cause irregularidades visíveis ou complicações tardias”.
Entre os riscos estão inflamações crônicas, formação de granulomas e migração do material para outras partes do corpo. “Essas complicações podem ocorrer anos após o procedimento e não se limitam ao local da aplicação”, pontua a especialista. Em casos graves, há comprometimento sistêmico, como insuficiência renal, devido ao acúmulo de cálcio estimulado pelos granulomas.
Além disso, a remoção do PMMA é um desafio. A médica explica que os procedimentos cirúrgicos para retirada costumam ser parciais e envolvem riscos de lesões nos nervos e cicatrizes.
Rastreabilidade e a importância da escolha do profissional
A Anvisa determina que todos os pacientes que realizam procedimentos com PMMA tenham acesso à etiqueta de rastreabilidade do produto, que contém informações como lote, validade e número de registro.
“Isso é essencial para garantir que o produto seja legítimo e para rastrear sua origem caso ocorram complicações”, explica a especialista.
A Dra. Alessandra também reforça a importância de buscar um profissional habilitado: “A aplicação deve ser feita exclusivamente por médicos capacitados, que conheçam a anatomia e saibam manejar possíveis complicações”.
O impacto do banimento e o futuro do PMMA no Brasil
O pedido de banimento do PMMA pelo CFM busca conter o aumento das complicações relacionadas ao uso inadequado da substância. No entanto, a decisão levanta questões sobre o impacto para pacientes que dependem do material em tratamentos médicos.
“Foi uma decisão pensada para proteção. O banimento pode proteger pacientes de usos indevidos, mas é importante garantir alternativas seguras para aqueles que precisam de tratamentos corretivos”, pondera a Dra. Alessandra.
