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A importância da adesão ao tratamento

by RcpxRaquelADM

A falta de adesão ao tratamento médico é uma questão global crítica: cerca de 31% dos pacientes nunca seguem suas primeiras prescrições1,2 e até 50% não realizam o tratamento como orientado3.

Diante deste cenário, é necessário debater o tema e buscar soluções para esse desafio. Recentemente, a Abbott, empresa global de cuidados para a saúde, reuniu diversos especialistas da saúde do mundo para o Congresso a:Care 2022, com o objetivo de discutir as melhores estratégias para conscientizar e mostrar a importância da adesão ao tratamento para melhores resultados de saúde das pessoas. Uma das principais conclusões é a de que melhorar a comunicação entre médicos e pacientes é o passo fundamental para criar bons hábitos.

 Entre os participantes do Brasil, de acordo com o Dr. Luciano de Melo Pompei, Professor Assistente Livre-docente da Disciplina de Ginecologia da Faculdade de Medicina do ABC, a adesão correta ao anticoncepcional é um exemplo de uma situação desafiadora na ginecologia. Segundo pesquisas científicas4,5, entre um quarto a metade das mulheres, esquecem de tomar ao menos uma pílula anticoncepcional por ciclo.

 Segundo a última Pesquisa Nacional de Saúde4 divulgada, 10,2% das pessoas com 18 anos ou mais foram diagnosticadas com depressão (em 2013 eram 7,6%). Para a psiquiatra Carmita Abdo, Professora na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, Fundadora e Coordenadora do Programa de Estudos em Sexualidade (ProSex) e ex-Presidente da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), “apesar do número de diagnósticos ter aumentado, cerca de metade dos pacientes descontinua o tratamento antidepressivo em até 3 meses, isto é, antes mesmo de iniciar a fase de continuação”.

Já Laura Mendonça, Professora de Reumatologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Coordenadora FLS HESFA/UFRJ e Presidente do 9º Bradoo Rio Online, acrescenta que, para o paciente com osteoporose e artrite reumatoide, a boa relação entre médico e paciente pode ajudar na adesão. “É importante transmitir conhecimento sobre a doença – riscos, diagnóstico e tratamentos disponíveis, de maneira clara e com linguagem fácil. O médico também deve evitar falar dos aspectos negativos na tentativa de convencimento. Uma conversa com abordagem positiva é mais eficaz e humana”, ressalta a médica.

“A aderência às estratégias preventivas e ao tratamento de doenças já instaladas é uma variável fundamental para obter os resultados desejados”, afirmou Bruno Benigno, Oncologista, Diretor da Clínica Uro Onco, Urologista do Hospital Alemão Oswaldo Cruz em São Paulo, Mestre em Ciências da Saúde e Fellow em Cirurgia Robótica pelo AC Camargo Câncer Center. O médico também ressalta que, em um estudo7 com pacientes de quatro grupos de doenças crônicas – asma, renal, cardíaca e oncologia, 89% dos participantes acreditavam que a medicação era necessária para seu bem-estar. No entanto, mais de um terço tinha fortes preocupações sobre sua medicação com base em crenças sobre os perigos da dependência ou efeitos a longo prazo.

 “Temos que correr muito para alcançar a excelência no uso de dispositivos inalatórios”, destacou Frederico Fernandes, Diretor da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia, responsável pelo ambulatório de DPOC do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. “Para uma aderência efetiva, devemos recomendar o intervalo correto entre as doses e ensinar a técnica adequada para o uso dos inaladores. Além da medicação, também deve-se avaliar qual o melhor dispositivo para o paciente, para termos um bom resultado na adesão”, completou.

Segundo Wilson Jacob Filho, Professor de Geriatria na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, na geriatria o desafio da adesão ao tratamento é muito grande. “É necessário promover uma interação clara e intensa entre os pacientes e familiares ou cuidadores com os profissionais e instituições. Essa relação é essencial para auxiliar o paciente a compreender o tratamento e sua importância, gerando a cooperação para adesão”.

 De acordo com uma pesquisa8 realizada para avaliar a prevalência de adesão ao tratamento com medicamentos do CEAF (Componente Especializado da Assistência Farmacêutica), apenas 28,3% dos participantes são aderentes e 9,7% revelaram baixa adesão. Além disso, 16% relataram ter dificuldade para lembrar de tomar os medicamentos. A farmacêutica Annemeri Livinalli, Especialista em Oncologia e Doutora em Ciências Farmacêuticas, destacou que educação e comunicação são grandes aliadas para promover a adesão aos tratamentos. “É necessário que a população tenha cada vez mais acesso à informação para combater as preocupações sobre o tratamento e manter a adesão”, disse. Além disso, Livinalli ressaltou que mecanismos de lembrete, como despertadores e alertas, podem facilitar o dia a dia do paciente.

Independentemente de qual for a questão de saúde, é fundamental ter uma relação próxima com o médico. O paciente deve se manter atento e questionar sobre o tratamento sugerido, assim como o profissional deve explicar os riscos e os benefícios. Desta forma, é possível que o tratamento seja eficaz e efetivo.=8ptReferências:=8pt =8ptFischer MA, Stedman MR, Lii J, et al. =8ptNão adesão à medicação primária: análise de 195.930 prescrições eletrônicas. J Gen Intern Med. 2010; 25 (4): 284-290. doi: 10.1007 / s11606-010-1253-9
[list=1]
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[*]=8ptBrown MT, Bussell JK. Adesão à medicação: QUEM se importa? =8ptMayo Clin Proc. 2011; 86 (4): 304-314. doi: 10.4065 / mcp.2010.0575
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[*]=8ptIBGE. Pesquisa Nacional de Saúde, 2019. [url=https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101764.pdf]=8pthttps://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101764.pdf[/url]=8pt. 
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[*]=8ptFritzen JS et al. Acesso regular e adesão a medicamentos do componente especializado da assistência farmacêutica. Rev. Saúde Pública 51 • 2017; doi.org/10.11606/S1518-8787.2017051006932.
[/list]
=8pt 

 

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