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A cirurgia do filtro: por que tantos pacientes querem um rosto que não existe? Dr. Caio Esper

by Nelson Coelho

Filtros, inteligência artificial e redes sociais estão transformando a forma como as pessoas enxergam o próprio corpo — e isso já chegou aos consultórios de cirurgia plástica. Especialistas observam um número crescente de pacientes que chegam às consultas com fotos editadas ou imagens geradas por aplicativos como referência, em busca de um rosto ou de um corpo que simplesmente não existem na vida real.

O fenômeno preocupa porque vai além da estética. A exposição constante a padrões irreais de beleza tem contribuído para a distorção da autoimagem, alimentando expectativas incompatíveis com os limites da cirurgia plástica. Ao mesmo tempo em que cresce a procura por procedimentos entre homens e por mulheres cada vez mais jovens, aumenta também o desafio dos cirurgiões em identificar quando o desejo por uma cirurgia está relacionado a questões emocionais ou até ao Transtorno Dismórfico Corporal (TDC), condição caracterizada pela preocupação excessiva com defeitos físicos mínimos ou inexistentes.

Nesse cenário, um dos papéis mais importantes do cirurgião plástico passou a ser justamente recusar pacientes quando a cirurgia não representa um benefício real. A avaliação médica vai além da técnica: envolve compreender as motivações do paciente, reconhecer sinais de distorção da autoimagem e, quando necessário, indicar acompanhamento psicológico antes de qualquer procedimento.

“A consulta não existe apenas para definir qual cirurgia será feita. Ela também serve para identificar quando o procedimento não é indicado ou quando o paciente precisa primeiro compreender melhor suas expectativas e os limites da cirurgia”, afirma o cirurgião plástico Dr. Caio Esper, Membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP). O especialista reforça sobre critérios éticos que levam um médico a contraindicar um procedimento e a importância de reconhecer sinais de sofrimento psíquico antes de qualquer intervenção.

O Dr. Caio Esper realizou residência em Cirurgia Geral em Campinas (2003–2005) e especialização em Cirurgia Plástica pela PUC-Campinas (2006–2009), em serviço credenciado pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Durante sua formação, atuou na unidade de queimados, adquirindo experiência em reconstrução e casos de alta complexidade. Posteriormente, integrou por vários anos a equipe dos cirurgiões faciais Dr. Rodrigo Gimenez e Dr. Crecêncio, aprofundando sua atuação em cirurgia facial e estética.

Conheça o trabalho: https://clinicaesper.med.br/

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