
Em Osasco, a SOCESP irá promover um treinamento em ressuscitação cardiopulmonar para a população em 27 de setembro pela passagem do Dia Mundial do Coração
Uma em cada cinco pessoas não saberia o que fazer diante de uma parada cardíaca. É o que revela uma pesquisa inédita realizada pela Sociedade de Cardiologia do Estado de São Paulo (SOCESP) em diversas cidades do interior paulista. O levantamento mostra que 17% dos homens e 21% das mulheres entrevistados afirmaram não saber como agir diante de uma emergência desse tipo. O resultado acende um alerta para um problema em que conhecimento e rapidez podem ser determinantes para salvar vidas. A parada cardiorrespiratória está entre as emergências médicas mais graves e exige uma resposta imediata. Estima-se que cerca de 300 mil brasileiros sofram uma parada cardíaca todos os anos, dentro e fora dos hospitais.
O tempo é um dos principais fatores relacionados à sobrevivência. A cada minuto sem atendimento, a vítima perde aproximadamente 10% das chances de sobreviver. Quando as manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP) são iniciadas nos primeiros cinco minutos após a ocorrência, a taxa de sobrevivência pode chegar de 50% a 70%. “Os números da pesquisa mostram que ainda existe uma lacuna importante de conhecimento na população. Diante de uma parada cardíaca, não basta esperar pela chegada do socorro especializado. É preciso reconhecer rapidamente o que está acontecendo, acionar o serviço de emergência e iniciar as compressões torácicas”, afirma Elton Scuro, cardiologista e diretor da SOCESP.
Um dos desafios para ampliar o conhecimento da população é diferenciar a parada cardíaca do infarto. Embora possam estar relacionados, são situações distintas. “O infarto ocorre quando há uma obstrução do fluxo de sangue para uma parte do músculo cardíaco. Já a parada cardíaca acontece quando o coração deixa de bombear sangue de maneira eficaz, interrompendo a circulação para órgãos vitais, especialmente o cérebro. Um infarto pode desencadear uma parada cardíaca, mas ela também pode ser provocada por arritmias graves, doenças cardíacas, afogamentos, choques elétricos, traumas e outras condições”, explica a coordenadora regional da SOCESP em Osasco, Marly Lopes.
Elton Scuro conta que na parada cardiorrespiratória, a pessoa perde a consciência, não responde aos estímulos e deixa de respirar normalmente ou apresenta apenas movimentos respiratórios irregulares. Como o cérebro é extremamente sensível à falta de oxigênio, poucos minutos sem circulação adequada podem provocar lesões graves e irreversíveis.
O primeiro passo é reconhecer a emergência e acionar o SAMU pelo telefone 192, informando a situação e o local exato da ocorrência. Enquanto o atendimento especializado está a caminho, a orientação é não esperar passivamente. Devem ser iniciadas imediatamente as compressões torácicas, firmes e contínuas, no centro do peito. Mesmo pessoas sem treinamento avançado podem realizar a manobra e ajudar a manter a circulação do sangue até a chegada dos profissionais. Quando houver um desfibrilador externo automático (DEA) disponível, o equipamento também deve ser utilizado. Desenvolvido para orientar usuários leigos, o DEA fornece instruções sonoras e analisa o ritmo cardíaco para determinar se a desfibrilação é indicada.
“Qualquer pessoa que esteja próxima pode ser o primeiro elo da corrente de sobrevivência. Não é necessário ser médico ou profissional de saúde para começar a ajudar”, completa Elton Scuro. Ele ressalta que treinamentos em escolas, empresas, clubes, condomínios e espaços públicos podem contribuir para que mais pessoas estejam preparadas para agir em uma situação de emergência.
Embora a preparação para agir diante de uma emergência seja essencial, a prevenção das doenças cardiovasculares permanece como uma das principais estratégias para reduzir o risco de eventos graves. “O controle da pressão arterial, do diabetes e do colesterol, a prática regular de atividade física, a manutenção de uma alimentação equilibrada, o controle do peso, o abandono do tabagismo, a moderação no consumo de bebidas alcoólicas e o acompanhamento médico periódico são medidas importantes para proteger a saúde cardiovascular, especialmente entre pessoas que apresentam fatores de risco ou histórico familiar de doenças do coração”, lembra o cardiologista.
Campanha em setembro
Para marcar o Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, a SOCESP promoverá durante todo o mês uma campanha de conscientização sobre a importância da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) e da prevenção das doenças cardiovasculares com apoio da Novartis. A iniciativa contará com publicações nas mídias sociais da entidade, conteúdos informativos no site da SOCESP, além de entrevistas e podcasts sobre RCP.
Data: 27 de setembro
Horário: 8h às 17h
Local: Calçadão próximo à entrada do Osasco Plaza Shopping
Atividades: treinamento da população em ressuscitação cardiopulmonar (RCP)
