O câncer de mama é o tumor mais frequente entre as brasileiras, descontados os casos de câncer de pele do tipo não melanoma. A doença representa quase um terço do total de diagnósticos de tumores malignos previstos para o ano de 2019 no público feminino, ou 29,5% dos 59,7 mil novos casos estimados¹. Esse número é superior à soma das outras neoplasias mais comuns entre as mulheres do País: tumores colorretais, de colo de útero, pulmão e tireoide¹.
Porto Alegre, Rio de Janeiro e São Paulo são, respectivamente, as capitais brasileiras que apresentam as maiores taxas de prevalência do câncer de mama no Brasil¹. No mundo, as neoplasias mamárias também são as mais comuns entre as mulheres e representam a quinta principal causa de morte por câncer: foram 626 mil óbitos apenas no ano de 20182.
O grupo dos tumores mamários abriga, na verdade, doenças muito diferentes, cada uma delas com protocolos e tratamentos específicos. Grande parte desses tumores, entre 60% e 80% do total de casos, está relacionada aos hormônios femininos, estrógeno e progesterona. Esses hormônios atuam no tecido mamário, ligando-se a moléculas intracelulares, conhecidas como receptores. Há, também, os casos HER-2 positivos (nos quais há uma superexpressão do gene
HER-2, que contribui para o crescimento descontrolado das células) e os triplo-negativos (negativos para estrógeno, progesterona e HER-2), que costumam se manifestar de forma mais agressiva, muitas vezes em mulheres jovens.3
“O câncer de mama é uma doença com diferentes sobrenomes. É muito heterogênea e, por isso, existem casos mais ou menos agressivos. Saber de qual tumor estamos falando, em cada caso, ajuda no oferecimento do tratamento mais indicado para o paciente”, explica a oncologista Marina Sahade, titular do Centro de Oncologia do Hospital Sírio-Libanês e médica-assistente do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).
Câncer de mama metastático
O diagnóstico precoce é importante para reduzir o risco de metástase em mulheres com câncer de mama, mas até 30% das pacientes evoluem com progressão da doença e aparecimento de metástases mesmo que a enfermidade tenha sido detectada precocemente4, o que evidencia a importância de opções terapêuticas capazes de satisfazer essa necessidade médica e beneficiar as pacientes. “Ter metástase não significa, portanto, que a paciente se descuidou da saúde. Existem tumores bastante agressivos. Alguns deles podem surgir no intervalo que naturalmente existe entre uma mamografia e outra”, afirma a oncologista.
De modo geral, o câncer de mama metastático representa um desafio para a comunidade médica, especialmente nos países em desenvolvimento, nos quais de 50% a 80% das pacientes são diagnosticadas com a doença já em fase avançada5. Mas, com o avanço da ciência, já existem medicamentos que podem controlar o tumor por vários anos.
No paciente com câncer de mama metastático, o objetivo é ampliar o controle e aumentar a cronicidade (pacientes convivendo mais tempo com a doença, com bem-estar e qualidade de vida). “O câncer metastático não é uma sentença de morte no curto prazo, como se pensava antigamente. Se no passado as perspectivas eram limitadas para essas mulheres, hoje podemos pensar em um cenário de controle da doença e de manutenção da qualidade de vida, mesmo quando o diagnóstico ocorre em estágio avançado”, destaca a médica.
Uma doença multifatorial
O câncer de mama é uma doença multifatorial e o maior fator de risco é a idade: três em cada quatro casos são diagnosticados em mulheres a partir dos 50 anos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (INCA). Mas há outras condições relacionadas ao desenvolvimento da doença, entre elas aspectos ambientais, reprodutivos e genéticos. Cerca de 30% dos casos poderiam ser evitados, por exemplo, a partir da adoção de hábitos saudáveis de vida, como a manutenção do peso adequado, a prática de exercícios físicos e restrições quanto à ingestão de bebidas alcoólicas6.
REFERÊNCIAS:
1. INCA. Estimativa 2018: incidência de câncer no Brasil / Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva. Coordenação de Prevenção e Vigilância. – Rio de Janeiro: INCA, 2017. 128 p.
2. IARC. gco.iarc.fr/today/data/factsheets/cancers/20-Breast-fact-sheet.pdf. Acesso: set 2019.
3 Howlader N, Altekruse SF, Li CI, Chen VW, Clarke CA, Ries LA, Cronin KA. US incidence of breast cancer subtypes defined by joint hormone receptor and HER2 status. J Natl Cancer Inst. 2014 Apr 28;106(5).
4. O’Shaughnessy J. Extending survival with chemotherapy in metastatic breast cancer. (http://theoncologist.alphamedpress.org/content/10/suppl_3/20.longThe OncologistThe Oncologist2005;10:20-29).
5. Unger-Saldaña K. Challenges to the early diagnosis and treatment of breast cancer in developing countries. World J Clin Oncol. 2014 Aug 10;5(3):465-77.

