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Incor integra estudo que identifica novo medicamento para tratar colesterol elevado e hereditário em crianças

by RcpxRaquelADM

Um estudo pioneiro para o tratamento de hipercolesterolemia familiar (HF) em crianças mostra a eficiência de um novo medicamento que diminuiu a taxa de colesterol em 38% em pacientes que participaram da pesquisa. Iniciado em 2016 com 157 crianças e adolescentes com idades entre de 10 a 17 anos, de 23 países e com a participação de 47 centros médicos, o levantamento apontou que o Evolocumabe, um anticorpo monoclonal, é eficiente no combate à doença hereditária que leva à doença cardiovascular agressiva e prematura.

Intitulado “Evolocumabe na hipercolesterolemia familiar heterozigótica pediátrica”, a publicação na revista científica New England Journal of Medicine tem como autor principal o médico brasileiro Raul Dias dos Santos Filho, diretor da Unidade Clínica de Lípides do InCor (Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da FMUSP), que incluiu 12 pacientes no estudo.

“Queríamos analisar o uso deste medicamento – por meio de injeções mensais – em crianças e adolescentes que não respondiam ao tratamento convencional com o uso de estatinas e ezetimiba e continuavam com colesterol alto; e conseguimos uma redução adicional de 38% no colesterol quando comparado a terapia convencional”, explica o pesquisador. Além disso, o tratamento mostrou-se altamente bem tolerado pelos pacientes.

O Laboratório de Genética e Cardiologia Molecular do InCor é o único do País a realizar diagnóstico genético com rastreamento em cascata da hipercolesterolemia em famílias. No Brasil, a hipercolesterolemia familiar atinge uma a cada 300 crianças.

O uso do Evolocumabe em crianças aguarda agora a aprovação da FDA (Food and Drug Administration), a agência federal de saúde dos Estados Unidos. A expectativa é de que ele esteja disponível para uso na saúde brasileira em 2022.

O médico reforça que a hipercolesterolemia familiar (HF) deve ser tratada nas fases iniciais da vida, já que o não acompanhamento médico traz números preocupantes. Entre eles, o de que cerca de 25% dos homens com HF já na fase adulta serão vítimas de infarto antes dos 40 anos e, se isso não acontecer nessa faixa etária, possivelmente 50% sofrerão um infarto até os 50 anos.

“Outro ponto importante é que famílias com histórico da doença devem fazer a dosagem da taxa do colesterol nas crianças, a partir dos 2 anos, para identificar se elas têm a HF. Caso a resposta seja positiva, já se inicia o tratamento inicialmente com dieta e após os 8 anos com medicamentos”, diz o médico do InCor.

Colesterol e crianças

O desconhecimento em relação à taxa de colesterol elevada pode causar danos em crianças e, consequentemente, na vida adulta. O especialista do Instituto do Coração reforça que não é somente em caso de hipercolesterolemia familiar que se faz a atenção com a faixa etária inicial da vida.

“Quando não há o histórico na família, recomenda-se uma avaliação na taxa de colesterol em crianças a partir dos 10 anos, já que má alimentação, obesidade e falta de exercícios físicos contribuem para cerca de 20% dos menores de 18 anos terem elevação da taxa de gorduras no sangue”.

Link para a acessar o estudo: [url]http://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMoa2019910[/url]

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