Home Notícias Estudo liderado por médico do A.C.Camargo Cancer Center revela que o vírus HIV não é um fator independentemente associado à mortalidade em pacientes com câncer e em estado crítico

Estudo liderado por médico do A.C.Camargo Cancer Center revela que o vírus HIV não é um fator independentemente associado à mortalidade em pacientes com câncer e em estado crítico

by RcpxRaquelADM

O impacto da infecção por HIV em pacientes com câncer e em estado crítico é desconhecido, porém, este conhecimento é indispensável para uma adequada admissão na UTI, um planejamento terapêutico e um aconselhamento a pacientes e parentes. Por isso, o head do Departamento de UTI Adulto do A.C.Camargo Cancer Center, Dr. Pedro Caruso, ao lado de outros especialistas, coletou dados de pacientes internados nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da Instituição e do Hospital das Clínicas e São Paulo, entre janeiro de 2000 e dezembro de 2018, e concluiu, no primeiro estudo mundial de pacientes gravemente acometidos pelas duas doenças, que a infecção por HIV, em pacientes com câncer, não foi independentemente associada com aumento da mortalidade hospitalar.

“Nós comparamos as características de pacientes com câncer em estado crítico e infectados por HIV e paciente oncológico com o mesmo perfil e não infectado por HIV e concluímos que a mortalidade hospitalar de infectados com HIV e pacientes com câncer em estado crítico não infectados com HIV foi semelhante”, conta o Dr. Pedro Caruso.

Os escores de propensão foram estimados usando regressão logística e a combinação de pacientes infectados por HIV e não infectados, além disso, todos foram pareados a dez fatores de confusão: idade, sexo, ano de admissão na UTI, escores fisiológicos, intensidade das disfunções orgânicas, tipo de tumor (sólido ou hematológico), local de tumor sólido, uso de ventilação mecânica invasiva, uso de vasopressores e ocorrência de lesão renal aguda.

“Analisando todos os pacientes, concluímos também que os infectados com HIV e com câncer em estado crítico eram mais jovens (50vs64 anos), tinham mais malignidades hematológicas (43%vs23%), mais disfunções orgânicas (4vs2) e exigiam mais terapias de suporte durante o período de internação na UTI do que pacientes não infectados com HIV”, finaliza o Dr. Caruso.

Embora a associação seja importante porque o HIV induz o aparecimento de câncer, o estudo revelou que mesmo o paciente com câncer grave e infectado com HIV tendo diversas complicações, a mortalidade no ambiente hospitalar não está aumentada porque o paciente também tem infecção por HIV.

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