Home Notícias Espiritualidade é abordada, pela primeira vez, em Diretriz de Prevenção que traz uma série de estudos comprovando os benefícios para o coração

Espiritualidade é abordada, pela primeira vez, em Diretriz de Prevenção que traz uma série de estudos comprovando os benefícios para o coração

by RcpxRaquelADM

A Diretriz de Prevenção da Sociedade Brasileira de Cardiologia – SBC – traz, pela primeira vez, as evidências científicas disponíveis descrevendo que níveis elevados de espiritualidade e religiosidade estão associadas a menores prevalências de tabagismo, menor consumo de álcool, melhor adesão nutricional e farmacológica no controle do colesterol elevado, da hipertensão arterial, da obesidade e do diabetes. Em mais de uma centena de estudos analisados e incorporados na Diretriz estão relacionados benefícios diretamente ligados à espiritualidade.

“O uso de álcool e consumo de cigarros encontram uma relação inversa com índices de espiritualidade. Outro exemplo é uma publicação da American Heart Association sobre meditação que ressalta a importância da prática para melhorar o controle da pressão arterial, efeitos comparáveis a outras intervenções sobre estilo de vida tais como dieta para emagrecimento e exercício”,  conta um dos autores da Diretriz e vice-presidente do Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular (GEMCA) da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Mário Borba.

O GEMCA tem construído o conceito que a espiritualidade é um conjunto de valores morais, mentais e emocionais que norteiam pensamentos, comportamentos e atitudes nas circunstâncias da vida de relacionamento intra e interpessoal. “Espiritualidade independe de afiliação religiosa, o que inclui ateus e agnósticos. Para alguns, embora não acreditando ou sendo incertos sobre a existência de Deus, ainda assim possuem uma forma de espiritualidade baseada na filosofia existencial, encontrando significado, propósito e realização na própria vida, o que impacta, como elencado na Diretriz, em benefícios cardiovasculares”, completa Borba.

O documento relacionou benefícios cardiovasculares com a espiritualidade não só na prevenção primária, quando o indivíduo ainda não tem doença cardiovascular. Na prevenção secundária, a Diretriz da SBC também mostrou toda a relevância da espiritualidade nos tratamentos. “Depressão, ansiedade, hostilidade/raiva e pessoas com emoções negativas, podem agravar as doenças cardiovasculares, ou seja, ‘ruminação mental’ piora e superação das adversidades melhora”, explica o cardiologista Mário Borba. Em contrapartida, o perdão e a disposição em perdoar determinam efeitos múltiplos, gerando estados mais favoráveis a estabilidade do organismo nos aspectos emocionais, cognitivos, fisiológicos, psicológicos e espirituais.

Estudo citado na Diretriz revela efeito direto do perdão no coração de pessoas pesquisadas em contraponto com a raiva. Assim como a gratidão, a resiliência, a meditação, o relaxamento trazem benefícios, como maior adesão aos tratamentos e reabilitação cardíaca mais rápida. “De fácil aprendizado e prática, as técnicas de relaxamento e meditação têm baixo custo e amplo acesso”, lembra Borba.

A Diretriz de Prevenção da SBC destaca ainda que a “espiritualidade e religiosidade são recursos valiosos utilizados pelos pacientes no enfrentamento das doenças e do sofrimento, e também podem ser utilizados de maneira mais consistente pelos médicos. O processo de entender qual a relevância, identificar demandas e prover adequado suporte espiritual e religioso, beneficia tanto pacientes como a equipe multidisciplinar e o próprio sistema de saúde. Cerca de 80% da população mundial possui alguma afiliação religiosa e a fé tem sido identificada como poderosa força mobilizadora nas vidas de indivíduos e comunidades”.

A Diretriz reúne também questionários que podem mensurar a escala de religiosidade ou valores espirituais dos pacientes e sugere como devem ser as abordagens profissionais. “Estudos demonstram que a maioria dos pacientes gostaria que seus médicos perguntassem sobre espiritualidade e religiosidade, gerando mais empatia e confiança. O profissional deve estimular o paciente a esclarecer os aspectos de sua espiritualidade e identificar se isto está contribuindo ou trazendo algum ponto de conflito que pode prejudicar o enfrentamento da doença”, finaliza o vice-presidente do Grupo de Estudos em Espiritualidade e Medicina Cardiovascular da SBC.
 
 

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