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Entidades médicas lançam movimento para que pacientes com sintomas de AVC procurem ajuda, mesmo em tempos de pandemia

by RcpxRaquelADM

Sociedades brasileiras de Neurologia lançam guidelines, que mostram a preocupação no manejo da doença em tempos de Covid-19 e reforçam normas para garantir o tratamento dos pacientes de AVC com segurançaApesar de ser a segunda maior causa de morte no mundo, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) não tem recebido o merecido cuidado em tempos de pandemia.

Levantamento recente World Stroke Organization (WSO) apontou queda global de mais de 60% nos atendimentos de AVC após o início do isolamento social. No Brasil, segundo os médicos da área, essa queda foi entre 40% e 50%, dependendo do Estados.
Esse dado, de acordo com os especialistas, não é um indicativo de que as pessoas estão deixando de ter a doença, mas sim de que elas estão evitando procurar ajuda especializada com medo de serem contaminadas pelo novo coronavírus, principalmente nos hospitais, e porque sabiamente tem respeitado às regras de isolamento social. Mas, como nem tudo é simples neste momento, o fato é que outras doenças também requerem atenção, independentemente da Covid-19.

“Não podemos deixar as pessoas morrerem em casa. Trata-se de uma emergência grave de saúde. Durante um AVC, aproximadamente 120 milhões de células cerebrais morrem por hora, se podemos controlar essa condição, seja de forma clínica ou cirúrgica, não devemos ficar de braços cruzados”, informa Gisele Sampaio Silva, médica neurologia e integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares.

Para a Dra. Gisele, que atua tanto na rede pública, no Hospital São Paulo, da UNIFESP, como no setor privado, o Hospital Albert Einstein, embora tenhamos realidades diversas no país, o AVC precisa ser prevenido e tratado em qualquer circunstâncias “Mesmo tendo cenários mais críticos em determinados Estados, como Rio de Janeiro, São Paulo, Ceará, Pernambuco, Amazonas, Maranhão, Pará e Bahia, por conta da Covid-19, não devemos desassistir os pacientes com AVC.”

Segundo Carla Moro, neurologista e Presidente do Conselho Fiscal da Associação Brasil AVC, é inaceitável que devido à pandemia de COVID-19 aumentemos o número de indivíduos incapacitados por um AVC ou mesmo que venham à óbito. “Estamos vivendo um período especialmente delicado, mas o impacto das sequelas de um AVC no individuo acometido e seus familiares estará presente para o resto de suas vidas”, aponta a médica, que atua em Joinville.

Para o neurologista Pedro Magalhães, que também trabalha em Joinville, um dos centros de referência em AVC do país, o atendimento médico urgente fornece a chance de tratamento do AVC, com a retirada dos coágulos que estão bloqueando as artérias, devolvendo a oxigenação ao cérebro. Entretanto, esta medida deve ser adotada o mais precocemente possível para que os danos irreversíveis sejam minimizados, aumentando a chance de sobrevivência e de vida independente pós AVC. Mesmo durante a pandemia do COVID-19, os hospitais de referência para tratamento do AVC estão organizados para fornecer o tratamento da doença cérebro vascular, assim como, minimizar os riscos de exposição do paciente ao novo coronavirus.

“Sabemos que a população está assustada, com receio de ir ao hospital, entretanto é extremamente importante a ação frente a suspeita de um AVC, por isso neste momento desafiador, é preciso redobrar a atenção aos seguintes sintomas que aparecem subitamente: Boca torta, fraqueza em um dos lados do corpo e /ou dificuldade para falar, são sinais claros de que a pessoa pode estar tendo um AVC, sendo necessário agir urgentemente ligando para o SAMU 192, ou buscando o hospital de referência imediatamente. Somente com a conscientização de que o AVC tem cura, poderemos poupar vidas e todo o sofrimento relacionado as sequelas neurológicas permanentes determinadas pela doença”.

Por outro lado, ainda temos o efeito bola de neve, conforme lembra Sheila Martins, vice-presidente da World Stroke Organization e fundadora da Rede Brasil AVC. “Acreditamos também que, além do medo dos pacientes com AVC de procurarem os hospitais por conta do novo coronavírus, é possível que o sedentarismo, alimentação inadequada, abuso de álcool pelo isolamento social e o fato das pessoas deixarem de tomar remédios de rotina no controle de comorbidades por estarem sem consultas médicas, aumentem o risco de AVC”, complementa.

E mais: o aumento do número de casos graves de AVC, principalmente, em jovens e em pacientes com COVID-19, mesmo sem sintomas respiratórios, sugerem que o vírus aumenta o risco da doença cerebrovascular por vários motivos. Pensando em todas essas questões, a World Stroke Organization, está trabalhando a hashtag #avcnãofiqueemcasa a nível mundial para conscientizar a população.
 
Novos guidelines

Para orientar profissionais e instituições de saúde para tratar o paciente de AVC neste delicado momento, o Departamento Científico de Doenças Cerebrovasculares da Academia Brasileira de Neurologia, da Sociedade Brasileira de Doenças Cerebrovasculares e da Sociedade Brasileira de Neurorradiologia reuniram-se para organizar novos guidelines de manejo da doença.

O guia inclui desde uso adequado de ferramentas de triagem, reforço em equipamentos de proteção individual (para pacientes e profissionais de saúde) assim como alocação de pacientes no hospital.  Com o objetivo de orientar e também reforçar a segurança dos pacientes de AVC neste momento, os guidelines ajudam a reforçar o movimento para que as pessoas não negligenciem a doença, pois se trata de uma emergência médica grave.

Para Francisco José Mont´Alverne, presidente da Sociedade Brasileira de Neurorradiologia e médico do Hospital Geral de Fortaleza, outro centro de referência em AVC, um dos Estados que vivem um momento crítico por conta da Covid-19, a alocação de recursos materiais e humanos para combater a pandemia não pode ofuscar o atendimento a emergências cujo tempo é imprenscindível, sendo que tratamento ineficiente aumentará ainda mais a mortalidade, a incapacidade em longo prazo e os custos aos cofres públicos.
 

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