Home Notícias Durante a pandemia, como proceder para diagnóstico, tratamento e cirurgia eletiva e de emergência?

Durante a pandemia, como proceder para diagnóstico, tratamento e cirurgia eletiva e de emergência?

by RcpxRaquelADM

Não é fácil. Todo mundo está com medo. Mas os tratamentos e cirurgias para várias doenças não podem parar em função do risco de contaminação pelo novo corona vírus. Tudo precisa ser calculado e avaliado.
 
O Dr. Flavio Hojaij, Professor da Faculdade de Medicina da USP, especialista em cirurgia de cabeça e pescoço e ex-diretor científico e secretário da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, explica como está realizando suas consultas on-line e tomando as decisões necessárias e que julga as mais corretas.
 
“Já estamos há 40 dias sem atendimento médico normal para outras doenças e aí vem a pergunta: Será que alguns tumores estão sendo negligenciados? Na área de cabeça e pescoço, os tumores de tireoide têm tempo para serem observados. Mas os outros tumores da região ´precisam ser avaliados. Por isso, pacientes devem ser orientados a fazer contato com os seus médicos e conversar com eles. Muitos tratamentos não podem esperar”.
 
Junto com outros cinco colegas (*), o Dr. Flavio Hojaij produziu um artigo a ser publicado no Clinics Journal, chamado “Surgical Practice in the COVID-19 pandemics: a systematic review”. O artigo é uma ajuda para a tomada de decisões médicas. “A minha tomada de decisão para cirurgias eletivas é operar pacientes que precisam ser operados ou que já tiveram o diagnóstico de câncer e que já estão entre quatro e seis semanas sendo postergados. Mas antes venho aconselhando aos colegas fazerem no paciente teste para Covid-19 e uma tomografia de tórax. Essa é a minha postura”.
 
Cabeça e Pescoço

A especialidade cirurgia de cabeça e pescoço está ligada ao tratamento de vários tipos de câncer: tireoide, boca, língua, laringe, faringe, face entre outros na região. De acordo com dados do INCa (Instituto Nacional do Câncer), a cada ano surgem 43 mil novos casos de cânceres que envolvem a região da cabeça e pescoço e que acabam por resultar em cerca de 10 mil mortes anualmente. Muitas vezes as mortes ocorrem em função de diagnósticos tardios.
 
Câncer na tireoide

Considerado o mais comum da região da cabeça e pescoço, o câncer de tireoide é três vezes mais frequente no sexo feminino. Nos Estados Unidos, a doença corresponde a 3% de todos os casos de cânceres que atingem as mulheres. No Brasil, corresponde a 1,3% de todos os casos verificados pelo Inca (1994 a 1998), e a 6,4% de todos os cânceres de Cabeça e Pescoço. No Brasil é o oitavo mais comum na população feminina.
 
Estima-se que 60% da população brasileira tenha nódulos na tireoide em algum momento da vida, mas menos de 5% deles são cancerosos. A incidência da doença aumentou em 10% na última década. Em caso de suspeita de câncer, além da avaliação clínica e de exames laboratoriais, o médico solicita exames de imagem ou biópsias.
 
A tireoide é uma glândula que produz dois hormônios que contêm iodo – a tiroxina (T4) e a triiodotironina (T3) – e que controlam nosso metabolismo, influenciam no nosso desenvolvimento e na atividade do sistema nervoso. Ela regula ainda a função de órgãos importantes como coração, cérebro, fígado e rins e, ainda, as relacionadas ao intestino e ao aparelho genital.

[i](*) Autores do artigo:

Flávio Carneiro Hojaij [/i]
[i]Lucas Albuquerque Chinelatto [/i]
[i]Gustavo Henrique Pereira Boog [/i]
[i]Júlia Adriana Kasmirski [/i]
[i]João Vitor Ziroldo Lopes [/i]
[i]Fernando Mauad Sacramento  [/i]

 

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