São nos primeiros anos de vida da criança que os pais, principalmente os de primeira viagem, se deparam com muitos aprendizados. Nessa fase, surgem algumas enfermidades típicas da infância e as preocupações e inseguranças se acumulam aos primeiros sinais de doenças como sarampo, catapora, inflamações, crises alérgicas e até a chamada mão-pé-boca, quando os pequenos começam os primeiros contatos com o mundo. A verdade é que, mesmo esses problemas sendo quase impossíveis de evitar, outras doenças requerem apenas um cartão de vacina em dia.
Quando estão dentro do útero, os bebês recebem proteção de anticorpos maternos e não estão em contato com nenhum tipo de vírus e bactérias e, por isso, seu organismo desconhece esses agentes. Mas durante os seis meses seguintes após deixar esse abrigo e ter contato externo, se tornam vulneráveis a qualquer micro-organismo. Diante dessa exposição contínua, para alguns desses corpos indesejáveis não há escapatória. Nenhuma criança estará livre de passar por dores de garganta, inflamações nos ouvidos, diarreias, gripes e resfriados, até o organismo reagir e produzir imunidade, sendo por estímulo de vacinas ou pelo contato dos com as próprias doenças.
Segundo o infectologista pediátrico Daniel Wagner, do Hospital da Criança, da Rede D’Or São Luiz, as doenças infecciosas e parasitárias encontram-se entre as principais causas de internação hospitalar em crianças no Brasil. Dentre as infecções mais comuns observadas na infância, podemos destacar as doenças respiratórias e as diarreicas, que podem ser causadas por vírus, bactérias e fungos. Muitas dessas questões são desencadeadas quando a criança inicia um novo ciclo da vida: a entrada em creches e escolinhas. Nessa fase, elas são apresentadas a ambientes, objetos e pessoas que não estão acostumadas, podendo ocasionar a chamada doença mão-pé-boca. “Em geral, crianças pequenas apresentam hábitos que facilitam a disseminação de enfermidades, tais como levar as mãos e objetos à boca, contato interpessoal muito próximo, falta da prática de lavar as mãos e de outros hábitos higiênicos, por isso, necessitam de cuidados constantes”, explica o especialista.
Para isso, os pais e demais responsáveis devem recorrer a alguns cuidados para encarar esse período mais frágil. “Sempre lavar as mãos principalmente antes de preparar ou ingerir alimentos, após ir ao banheiro e depois de utilizar transporte público e sempre que voltar da rua. Para as doenças respiratórias, além disso, também é preciso evitar locais fechados e com aglomeramento de pessoas em períodos frios e/ou chuvosos”, enfatiza o infectologista. A alimentação, começando desde a amamentação, também contribui para o fortalecimento dos pequenos. “O mais importante é evitar o desmame precoce, pois manter o aleitamento materno aumenta a resistência das crianças contra as diarreias e demais problemas. Evitar ingerir alimentos com higiene e preparo duvidosos, crus ou malcozidos”, completa.
Porém, para outros casos, a forma mais eficiente de combate são as vacinas. O sarampo, rubéola e a caxumba, por exemplo, trio de doenças virais que aterrorizou o século passado, voltaram a ser pauta das campanhas de saúde depois do surto recente do sarampo. O grande desafio atual se refere às campanhas anti-vacinas sem fundamento científico, tornando crianças e adultos novamente susceptíveis às doenças consideradas erradicadas, como é o caso do sarampo. Mesmo diante das chamadas “fake news” sobre a eficácia das vacinas, o especialista alerta da importância máxima da imunização infantil por meio da vacinação. “As vacinas são o meio mais seguro e eficaz de nos protegermos contra certas doenças infecciosas e são obtidas a partir de partículas do próprio agente agressor, sempre na forma atenuada (enfraquecida) ou inativada (morta). Quando o organismo é atacado, o sistema de defesa desencadeia uma reação para impedir a ação desses agentes estranhos”, ressalta Wagner.
O sarampo é uma doença infecciosa grave causada por um vírus e pode ser fatal. Sua transmissão ocorre quando a pessoa infectada tosse, fala, espirra ou respira próximo de outras pessoas. A única maneira de prevenção é por meio da vacina. Atualmente, o surto representa um desafio em algumas capitais brasileiras como São Paulo. Mais de 2600 casos já foram confirmados e os números aumentam progressivamente em virtude da baixa cobertura vacinal. Além do sarampo, atualmente existem várias vacinas recomendadas pela Organização Mundial de Saúde e beneficiam todas as faixas etárias, seguindo um calendário nacional de vacinação.

