Recentemente, a atriz Thaís Fersoza postou em seu canal do Youtube que teve diástase abdominal e que conseguiu reverter o quadro. As cantoras Sandy, Thaeme e as atrizes Bárbara Borges e Thaís Pacholek também sofreram com o problema.
Comum após a gravidez, a diástase está relacionada ao afrouxamento e afastamento dos músculos abdominais, ação do organismo para que o útero e o bebê possam ter espaço de crescer. Para o médico Eduardo Rauen, o problema é comum após o terceiro trimestre de gestação e é mais fácil de ser revertido nas primeiras semanas após o parto.
“Se a paciente tem aumento de peso considerável durante a gestação, o bebê é muito grande ou teve muito líquido dentro do abdômen, é comum que ela tenha diástase abdominal. No entanto, em até oito semanas após o parto, você tem uma involução desse distanciamento dos músculos. Se o médico estiver bem alinhado com o obstetra, iniciando uma fisioterapia e o uso da tecnologia HIFEM a favor nesse período, conseguimos fortalecer a região e ter a diminuição da diástase”, explica.
Embora todas as gestantes vivenciem essa condição, em algumas o grau de afastamento dos músculos abdominais é maior e, por isso, a diástase fica aparente no pós-parto. A seguir, os médicos Eduardo Rauen, Raquel Moro e Fernando Macedo esclarecem as principais dúvidas sobre o assunto. Confira:
Qual é a diferença entre distensão abdominal e diástase abdominal do pós-parto?
Para a ginecologista Raquel Moro, a distensão abdominal do pós-parto se dá pelo afrouxamento dos músculos abdominais depois da gestação, sem descolamento do músculo. Já a diástase abdominal é a separação dos músculos, com distensão e posterior descolamento/perda de aderência da parte interna. Eduardo Rauen complementa que a distensão abdominal pode ter inúmeras causas. “Hematoma, sangramento interno, um edema, e até uma alteração funcional do intestino podem causar uma distensão. A diferença é que na distensão não existe a alteração anatômica por espaçamento do músculo, característica da diástase”, comenta.
Como saber se tenho diástase abdominal?
Eduardo Rauen explica que é possível descobrir através de um exame físico. “Com a paciente deitada, você pede para ela colocar as plantas dos pés na maca, os joelhos fletidos, levantar os ombros e curvar a cabeça, encostando o queixo no peito. Durante esse movimento, com a mão no abdômen da paciente, o médico consegue perceber se existe algum distanciamento entre a musculatura da região”, explica.
Outra maneira é usar a medicina de imagem e solicitar um ultrassom da parede abdominal. Desta maneira, o médico consegue saber até o distanciamento das bordas da musculatura reto abdominal e quantos centímetros de diástase aquele paciente tem.
Após o parto, é importante uma avaliação de diástase abdominal antes de retomar as atividades físicas?
Raquel Moro aponta que em apenas três dias após o parto já é aconselhável começar os trabalhos de prevenção da diástase, com atividades específicas bem leves. Quando se tem um parto normal, o tempo vai de acordo com a paciente, quando ela se sentir segura. Já para quem fez cesariana, a recomendação para exercícios leves é após seis semanas, e moderados 12 semanas, diz Eduardo Rauen. “É importante estar alinhado com o obstetra para saber como foi o parto, se teve alguma intercorrência, para depois liberar a atividade física”, comenta.
Mesmo depois de um ou dois anos após o parto, a mãe ainda pode apresentar diástase abdominal?
Raquel Moro diz que sim. Com a frouxidão nos músculos abdominais ou até mesmo perda de densidade muscular, principalmente se a puérpera deixou de fazer a rotina de exercícios que fazia anteriormente. O diagnóstico é feito da mesma forma, por palpação. Mas por ser tardio, pode ser um pouco mais difícil de ser tratado.
A diástase abdominal pode trazer alguma outra complicação para o corpo?
Eduardo Rauen afirma que a diástase, além de uma alteração estética, também traz uma mudança funcional. Você perde a proteção do músculo reto abdominal no abdômen. Então, se a paciente tiver um trauma ou um acidente, acaba diminuindo essa barreira de proteção. “No dia a dia, a maior queixa dos pacientes são as dores na lombar. Quando você perde essa prensa feita pelo músculo, há uma sobrecarga na coluna vertebral, e, por isso, as dores”, comenta.

