As arritmias cardíacas representam um grande risco à saúde, pois podem ocasionar, entre outros problemas, parada cardíaca, complicações graves e até mesmo a chamada morte súbita. De acordo com números da Sociedade Brasileira de Arritmias Cardíacas (SOBRAC), no Brasil as arritmias atingem cerca de 20 milhões de pessoas, causando mais de 300 mil vítimas por ano. Porém, o tratamento é totalmente possível com técnicas minimamente invasivas com excelentes resultados.
“A fibrilação atrial é o tipo mais comum. Além de palpitações, provoca risco de derrame cerebral, entretanto, muitos casos podem ser curados sem cirurgia, com um tratamento de última geração. Um sistema avançado computadorizado permite identificar os pontos de origem dessa arritmia, eliminando-os por meio de eletrodos que utilizam ondas de rádio com grande chance de cura ou controle dessa arritmia”, explica o Prof. Dr. José Carlos Pachón, cardiologista responsável pelo Serviço de Arritmias Cardíacas do HCor.
Novas tecnologias
O Serviço de Arritmias do HCor foi ampliado recentemente para concretizar sua excelência no tratamento de arritmias. Referência internacional, utiliza o que há de mais moderno na investigação diagnóstica, prevenção e tratamento dos mais variados tipos de cardiopatias e arritmias cardíacas. Novas tecnologias permitem o mapeamento detalhado tanto da fibrilação atrial quanto de todas as arritmias, que podem ser tratadas com uma taxa de sucesso muito alta e sem complicações.
“A ablação por radiofrequência, por exemplo, corrige os batimentos e, geralmente, elimina a necessidade da utilização de medicamentos. Inclusive casos de pulsação lenta, que eram tratados com marcapassos, podem agora, por meio de exames e técnicas específicas, ser tratados com um tipo especial de ablação”, salienta Dr. Pachón.
O marcapasso também chegou a uma nova fase. O implante convencional não se utiliza mais no Serviço de Arritmias do HCor. O motivo é que, apesar do marcapasso resolver o problema do bloqueio cardíaco, com o passar do tempo ele pode prejudicar o músculo cardíaco, dilatando o coração e, inclusive podendo levar a um quadro de insuficiência cardíaca. Para evitar que isso ocorra foi desenvolvida a estimulação do feixe de His e os modernos ressincronizadores, que permitem excelentes resultados para prevenir e mesmo tratar a insuficiência cardíaca.
“Estamos desenvolvendo estes novos marcapassos desde a década de 90. Estimulando o coração através do feixe de His, responsável por transmitir os impulsos elétricos aos ventrículos, obtemos uma ativação cardíaca natural e evitamos a sua dilatação com o passar do tempo. Muitas vezes, a mudança do marcapasso antigo para este novo sistema pode reverter e curar casos que estão evoluindo mal cronicamente”, revela o cardiologista.
Prevenção
Na prevenção das doenças cardíacas o ideal é manter alimentação equilibrada, evitar o álcool, o tabagismo e o estresse, controlar a pressão arterial, o açúcar no sangue, o colesterol e o peso para fugir da obesidade e de doenças relacionadas como apneia do sono. Adicionalmente, é fundamental praticar exercícios regulares, porém, estes devem ser orientados pelo cardiologista.
Os fatores de risco valem para todos os tipos de arritmias, mas para a fibrilação atrial são muito frequentes a insuficiência cardíaca, a pressão alta, a doença cardíaca hipertrófica, as doenças das válvulas, o estresse emocional, o alcoolismo e o envelhecimento natural. “No tratamento das arritmias, é altamente desejável uma avaliação preventiva com exames de eletrocardiograma e Holter e, principalmente, a avaliação clínica que nos ajuda a identificar os casos de risco precocemente”, acrescenta Dr. Pachón.

