Aproximadamente 200 médicos, residentes e estudantes de medicina se reuniram no III Simpósio Anual do Núcleo de Oncologia Torácica (NOT) do Instituto COI, no final de março, no Rio de Janeiro. O evento, que aconteceu no Hotel Windsor, na Barra da Tijuca, contou com a presença de palestrantes nacionais e internacionais que debateram os principais avanços no diagnóstico e tratamento do câncer de pulmão.
O cirurgião torácico Ricardo Santos abriu o ciclo de palestras apresentando um importante programa de rastreamento de pacientes assintomáticos, que fumam ou fumaram por longos períodos. Ele é coordenador do Centro de Cirurgia Torácica Minimamente Invasiva, Robótica e Broncoscopia do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, onde o rastreamento foi realizado, sendo custeado pelo SUS. Foram avaliadas 745 pessoas, que forneceram dados demográficos, referentes à qualidade de vida, índice de ansiedade e depressão, entre outras informações. O estudo avaliará dados importantes sobre a doença, como o seu aparecimento, o diagnóstico precoce e os resultados dos tratamentos de acordo com o estágio da doença.
O Instituto COI possui um programa similar, iniciado há cerca de um ano, no qual coleta dados de seus pacientes para um estudo prospectivo. Não há no Brasil, até o momento, dados consistentes gerados no âmbito privado. São avaliados os sintomas iniciais, o estadiamento, (estágio da doença), a sobrevida, o tratamento e outras informações.[url=https://www.luxurywatchuk.com/]replica watches uk[/url]
“Este rastreamento é fundamental e pode ter impacto na melhora do diagnóstico e tratamento do câncer no âmbito dos planos de saúde no Brasil”, explica o oncologista e diretor do Instituto COI, Carlos Gil Ferreira. Assim como o rastreamento, uma campanha de esclarecimento da população e da própria classe médica quanto aos sintomas iniciais é importante. “Ao identificar estes sintomas, o paciente deve buscar atendimento médico para que seja feita uma tomografia e, se necessário, uma biópsia de lesões identificas”, complementa o médico.
Médicos do Grupo COI apresentaram estudos internacionais promissores para o tratamento da doença nos quais têm participado. O oncologista Mauro Zukin, diretor técnico do Grupo COI e membro internacional do Comitê Educativo em Câncer de Pulmão da ASCO (Sociedade Norte-Americana de Oncologia Clínica), mostrou que a combinação de duas novas drogas aumentou em 50% a sobrevida de pacientes com câncer de pulmão avançado e clinicamente frágeis. A combinação dessas drogas, por ser menos tóxica, prejudica menos as células saudáveis. O aumento da sobrevida foi tão significativo, que esta combinação passou a fazer parte do guideline para câncer de pulmão não só no Brasil, mas também nos Estados Unidos e na Europa.
Já o oncologista Luiz Henrique Araújo acaba de descobrir, junto a outros pesquisadores, coordenados pelo James Cancer Center – The Ohio State University, uma mutação rara em um gene chamado ARAF, que pode ser um novo causador do câncer de pulmão. Além de utilizar essas informações para guiar a escolha e desenvolvimento de terapias alvo molecular — que, na maioria das vezes, oferece mais eficácia e menos toxicidade —, a descoberta indica para médicos e pesquisadores que o estudo de “super-respondedores” é uma alternativa eficaz na busca de novos genes alterados no câncer.
A descoberta ocorreu a partir do estudo dos genes (genoma) de um câncer de pulmão considerado “super-respondedor” a uma terapia molecular chamada sorafenibe. O tumor de uma paciente do sexo feminino que participou do estudo clínico com este agente foi ressecado. Ela foi uma dos nove pacientes cujo câncer reduziu com o tratamento e foi, de longe, a com maior duração de resposta. Com menos de dois meses de tratamento o câncer já era praticamente indetectável e esta redução foi mantida por cerca de cinco anos. O estudo original incluiu 306 pacientes entre 2004 e 2007, todos com câncer de pulmão.
Especialistas internacionais abordaram ainda questões importantes como os avanços tecnológicos da radioterapia e seus resultados no tratamento da doença, tema abordado pelo radioterapeuta holandês Ben Slotman; e a análise de técnicas como o EBUS, tema da apresentação do pneumologista americano George Eapen.
Apesar de tantas notícias otimistas, hoje, o maior desafio do câncer de pulmão, no Brasil e no mundo, é integrar o avanço tecnológico no diagnóstico e tratamento ao acesso do paciente. “Há alguns anos não tínhamos a tecnologia disponível. Hoje, temos avanços importantes na ciência, mas o custo tende a elevar muito, impossibilitando o acesso do paciente a estes diagnósticos e tratamentos modernos”, explica Dr. Carlos Gil.
No Brasil, as Parcerias por Desenvolvimento Produtivo (PDP) têm sido importantes para mudar este cenário. “Através destas parcerias, a indústria farmacêutica pode produzir no País medicamentos com custo mais baixo. Além de envolver geração de empregos, conseguimos produzir a tecnologia aqui”, finaliza.
Câncer de Pulmão: Brasil precisa desenvolver estratégia de rastreamento,dizem especialistas
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