Acompanhamos em todo o ano de 2020 a manifestação clínica menos favorável da COVID-19 nos pacientes com idade mais avançada (superior a 60 anos), homens, e pessoas com obesidade e doença cardiovascular prévia. Essas características são comuns também nos pacientes com Apneia Obstrutiva do Sono (AOS).
O destaque está no fato da possibilidade de doenças cardiovasculares preexistentes associadas à AOS poderem levar ao aumento da chance de internação em unidade de terapia intensiva por COVID-19, e até aumentar a mortalidade da doença causada pelo vírus.
Exemplo importante são as arritmias cardíacas noturnas que estão presentes em 40% dos pacientes com AOS e em mais de 90% dos pacientes com AOS grave.
Embora uma doença muito prevalente (32,9% da população de São Paulo tem apneia do sono), pouca atenção tem sido dada à AOS durante a pandemia de COVID-19. Destacamos a AOS, uma comorbidade potencial que merece inclusão como risco para desfechos negativos em pacientes com COVID-19.
Portanto, as pessoas com suspeita de AOS, roncadoras, que possuem um sono fragmentado e não reparador, e que apresentam sonolência diurna, necessitam de avaliação com especialista em medicina do sono e realização de polissonografia, para um adequado diagnóstico e tratamento, caso haja confirmação da doença.
Fonte: Does obstructive sleep apnea lead to increased risk of COVID-19 infection and severity? (Tufik, S. et al., Journal of Clinical Sleep Medicine, Vol. 16, No. 8, p. 1425-1426)
Dr. Nilson André Maeda – CRM 125.367 – médico do sono do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia
Dr. Braz Nicodemo Neto – CRM 70.179 – médico do sono do Hospital Paulista de Otorrinolaringologia

