
Dor súbita e intensa no peito ou nas costas está entre os principais alertas de uma condição grave que exige avaliação médica imediata
Em 19 de setembro, Dia Mundial de Sensibilização para a Dissecção da Aorta, a Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) alerta para a importância de conhecer os sinais dessa condição grave e potencialmente fatal. Embora pouco conhecida pela população, ela exige diagnóstico rápido e tratamento adequado para reduzir o risco de complicações.
A dissecção ocorre quando há uma ruptura na camada interna da aorta, maior artéria do corpo humano e responsável por transportar o sangue que sai do coração para os outros órgãos. A lesão permite que o sangue penetre entre as camadas da parede arterial e crie um novo trajeto, chamado de luz falsa.
Essa alteração pode comprometer a circulação para órgãos vitais e provocar consequências graves. Dependendo da região atingida, há risco de insuficiência renal, isquemia intestinal, paraplegia, formação de aneurisma, ruptura arterial, tamponamento cardíaco e morte.
Por isso, reconhecer os sinais e procurar atendimento sem demora são atitudes essenciais. O diretor Científico da Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP), Dr. Marcus Vinicius Martins, destaca alguns pontos que a população precisa saber sobre a dissecção da aorta:
Dor intensa e repentina é um dos principais sinais
A manifestação mais característica é uma dor súbita e muito forte no peito, que pode irradiar para as costas, e também pode surgir na região abdominal. Alguns pacientes apresentam sudorese intensa com sensação de morte iminente. Diante de um quadro com essas características, a orientação é procurar imediatamente um pronto-socorro.
Os sintomas podem ser confundidos com outras emergências
A dor provocada pela dissecção da aorta pode se assemelhar a de um infarto agudo do miocárdio. A embolia pulmonar também está entre as condições graves que precisam ser consideradas na avaliação de um paciente com dor torácica. Por esse motivo, a investigação médica é fundamental para identificar corretamente a origem do problema.
Hipertensão arterial merece atenção
A hipertensão arterial sistêmica é o principal fator de risco relacionado à dissecção da aorta. Manter a pressão sob controle e seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico são cuidados importantes. Pessoas com histórico familiar da doença também precisam estar atentas e informar essa condição durante o acompanhamento de saúde.
A região da aorta atingida influencia as possíveis complicações
A localização da dissecção ajuda a determinar a gravidade do quadro e as possíveis complicações. Quando ocorre na porção inicial da aorta, próxima ao coração, a condição pode provocar tamponamento cardíaco e morte súbita. Já na porção descendente, após a artéria subclávia, a sintomatologia depende da extensão da lesão e das estruturas envolvidas.
O diagnóstico precisa ser rápido
Diante da suspeita, exames de imagem permitem avaliar a aorta e identificar a presença da dissecção. A angiotomografia da aorta é apontada como o principal exame para o diagnóstico correto. O ecocardiograma também pode fazer parte da investigação, de acordo com a avaliação médica e as condições do paciente.
Informação pode ajudar a reconhecer uma emergência
Conhecer os sintomas não substitui a avaliação médica, mas pode contribuir para que a pessoa que apresente uma dor súbita e muito intensa procure atendimento. Em situações suspeitas, não se deve esperar que o desconforto passe, nem tentar identificar sozinho a causa. A conduta adequada é buscar um serviço de emergência para investigação.
“As doenças da aorta, incluindo a dissecção aórtica, são condições graves com ameaça iminente à vida, sendo necessário o tratamento precoce. Há muito desconhecimento sobre essas doenças e, muitas vezes, o paciente é tratado com a hipótese de infarto do miocárdio, sem que seja realizado exame de imagem da aorta. Como exposto, a avaliação médica é essencial, mas a conscientização das pessoas quanto a essas doenças também é de grande importância”, afirma Dr. Marcus.
Sobre a SBACV-SP
A Sociedade Brasileira de Angiologia e de Cirurgia Vascular – Regional São Paulo (SBACV-SP) é uma entidade sem fins lucrativos que representa os médicos que atuam nas especialidades de Angiologia e de Cirurgia Vascular no estado de São Paulo. A instituição tem como missão levar informação de qualidade sobre saúde vascular à população.
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