
Tecnologia busca estimular o sistema imune a capturar a nicotina na corrente sanguínea antes que ela chegue ao cérebro
O Laboratório Cristália apresenta resultados iniciais de uma pesquisa inédita no Brasil para o desenvolvimento de uma vacina antitabagismo, conduzida por cientistas do Centro de Pesquisa, Desenvolvimento & Inovação (PD&I) da empresa.
Em fase de Early Discovery, o projeto busca desenvolver uma tecnologia capaz de estimular o sistema imunológico a reconhecer e capturar a nicotina ainda na corrente sanguínea, reduzindo sua chegada ao cérebro e, consequentemente, o efeito de prazer associado ao consumo da substância.
A proposta é atuar principalmente na prevenção de recaídas, um dos grandes desafios no tratamento da dependência do tabaco. Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS), o tabagismo provoca cerca de 8 milhões de mortes por ano no mundo. Dados do National Institute on Drug Abuse indicam que cerca de 85% das pessoas que tentam abandonar o vício apresentam recaída no primeiro ano.
Como funciona
A estratégia desenvolvida pelo Cristália utiliza uma molécula modificada, sem efeito psicotrópico, associada a uma estrutura capaz de estimular o sistema imune. O objetivo é induzir a produção de anticorpos específicos contra a nicotina.
Após a vacinação, esses anticorpos poderiam capturar a nicotina no sangue, dificultando sua chegada ao cérebro e a ativação dos mecanismos relacionados à liberação de dopamina e à sensação de prazer.
“É justamente a recaída que a vacina do Cristália pretende prevenir”, afirma o médico Ogari Pacheco, fundador e presidente do Conselho Diretivo do Laboratório Cristália e responsável pela concepção que deu origem ao projeto.
Os primeiros testes foram realizados apenas em animais. Segundo o Cristália, os antígenos sintéticos produzidos pela empresa induziram a formação de anticorpos específicos e, em modelo experimental, a candidata vacinal demonstrou capacidade de impedir a adicção nos animais. Estudos para avaliar a resposta imune continuam em andamento.
O desenvolvimento ainda requer estudos pré-clínicos adicionais de eficácia e segurança, desenvolvimento farmacotécnico e analítico, aumento de escala e ensaios clínicos em humanos, antes de eventual submissão para registro na Anvisa. A empresa também prepara dados para um pedido de patente.
Pesquisa e inovação
Instalado no Complexo Industrial de Itapira, o Centro de PD&I do Cristália coordena projetos nas áreas farmacêutica, farmoquímica e biotecnológica. O laboratório informa investir anualmente entre 6% e 8% de sua receita em pesquisa científica e desenvolver cerca de 10 a 12 novos produtos farmacêuticos por ano.
Segundo a empresa, aproximadamente 40% de seu portfólio de desenvolvimento corresponde a inovações com ganho terapêutico.
