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Enfrentamento ao câncer de intestino passa pelo rastreio, informação e diagnóstico precoce

by RcpxRaquelADM

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Março Azul: o enfrentamento ao câncer de intestino passa pelo rastreio, informação e diagnóstico precoce
Terceiro tipo de câncer mais letal no Brasil, com cerca de 20 mil mortes por ano e mais de 45 mil novos casos anuais, o câncer de intestino avança de forma silenciosa e reforça a importância do diagnóstico precoce como estratégia central para a redução da mortalidade.

A Campanha Março Azul chama a atenção para os fatores de risco associados ao estilo de vida, para os sinais de alerta e para o papel decisivo da colonoscopia, exame capaz de identificar lesões iniciais e até prevenir o surgimento do tumor. Especialistas também destacam o avanço da inteligência artificial, que tem ampliado a precisão do rastreio, e as altas chances de cura quando a doença é detectada em estágio inicial. Embora a maior prevalência ainda seja entre pessoas de idade mais avançada, esse cenário vem se modificando, com o aumento de diagnósticos em indivíduos abaixo dos 45 anos, realidade que acompanha o perfil epidemiológico do Recife, onde o tumor já figura entre os mais incidentes na população, segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer.

[b]Doença silenciosa e impacto epidemiológico[/b]
O câncer de intestino, também conhecido como câncer colorretal por atingir o cólon, o reto e a região anal, representa hoje um dos principais desafios da saúde pública. A alta incidência está diretamente relacionada ao envelhecimento populacional e às mudanças no padrão de vida, com aumento do sedentarismo, do consumo de alimentos ultraprocessados e da obesidade. A doença acomete principalmente homens e mulheres a partir dos 45 anos e apresenta evolução lenta, o que abre uma janela importante para prevenção e diagnóstico precoce.
 
A diretora médica da Endogastro e presidente da Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva em Pernambuco, [b]Leliane Alencar[/b], reforça que o comportamento silencioso do tumor exige uma mudança de mentalidade em relação ao cuidado com a saúde. “O câncer colorretal pode se desenvolver durante anos sem provocar sintomas. Quando o paciente passa a perceber sinais, muitas vezes a doença já está em estágio avançado. Por isso, o rastreamento é a principal ferramenta para reduzir a mortalidade”, afirma.
 
[b]Fatores de risco e a relação com o estilo de vida[/b]
Entre os fatores associados ao desenvolvimento do câncer de intestino estão tabagismo, consumo frequente de bebidas alcoólicas, alimentação rica em gorduras saturadas e pobre em fibras, obesidade, sedentarismo e baixo consumo de cálcio. Histórico familiar da doença e antecedente pessoal de câncer de ovário, útero ou mama também aumentam o risco. Esse conjunto de condições revela uma ligação direta entre o tumor e hábitos de vida contemporâneos. “Estamos diante de uma doença que tem forte relação com comportamento e padrão alimentar. A prevenção passa por mudanças no estilo de vida, mas passa principalmente pelo rastreio organizado, que permite identificar lesões antes que elas se transformem em câncer”, explica Leliane Alencar.
 
[b]Sinais de alerta e a importância de não esperar sintomas[/b]
Perda de peso sem causa aparente, alteração do hábito intestinal com diarreia ou prisão de ventre, sangue nas fezes, dores abdominais persistentes, gases, náuseas, vômitos, dor na região anal e sensação de evacuação incompleta estão entre os sinais que exigem avaliação médica. Ainda assim, os especialistas alertam que o ideal é não aguardar o surgimento desses sintomas para iniciar a investigação. “Os exames de rastreio são indicados mesmo para pessoas sem queixas. A colonoscopia é o padrão ouro porque permite visualizar o intestino por dentro, identificar pólipos e removê-los durante o próprio procedimento, interrompendo a evolução para o câncer”, destaca a médica.
 
[b]Colonoscopia e avanço da inteligência artificial[/b]
A colonoscopia é considerada o exame padrão ouro para a detecção do câncer de intestino por permitir a visualização direta de toda a mucosa do cólon e do reto, com a identificação e a retirada imediata de lesões precursoras. “É um exame que salva vidas porque possibilita diagnóstico e tratamento no mesmo momento. Ao remover um pólipo durante o procedimento, interrompemos a evolução para um tumor”, afirma Leliane Alencar. A incorporação da inteligência artificial tem ampliado ainda mais a eficácia do método, funcionando como um sistema de apoio em tempo real capaz de reconhecer padrões suspeitos e sinalizar áreas que poderiam passar despercebidas ao olhar humano. “Com esse recurso, aumentamos significativamente a taxa de detecção de pólipos e reduzimos a chance de lesões não identificadas. Trata-se de um avanço tecnológico com impacto direto na prevenção e na redução da mortalidade por câncer colorretal”, destaca.
 
[b]Tratamento, cura e acompanhamento contínuo[/b]
Após o diagnóstico, o tratamento é definido de forma individualizada e pode incluir cirurgia, quimioterapia, radioterapia e terapias biológicas, dependendo da localização do tumor e do estágio da doença. Apesar do impacto emocional que acompanha a descoberta, o cenário atual é de resultados cada vez mais positivos.
“O câncer de intestino tem cura, especialmente quando diagnosticado precocemente. Hoje temos tratamentos modernos e eficazes, com altas taxas de sucesso”, ressalta a especialista.
Mesmo após a cura, o acompanhamento rigoroso é indispensável. O monitoramento periódico permite identificar recidivas de forma precoce e aumentar novamente as chances de controle da doença. “O seguimento faz parte do tratamento. Ele garante segurança ao paciente e possibilita intervenção rápida caso haja qualquer alteração”, completa.
 
[b]Informação como estratégia de saúde pública[/b]
A campanha Março Azul amplia o debate sobre prevenção e diagnóstico precoce e reforça a necessidade de acesso aos exames de rastreio. Mais do que alertar para os números da doença, a mobilização chama atenção para a possibilidade real de cura quando o tumor é identificado em fase inicial.
“Precisamos falar sobre o câncer de intestino com clareza e responsabilidade. Informação de qualidade é uma ferramenta de prevenção. Quando a população entende que o rastreio é um cuidado de rotina, conseguimos mudar a história natural da doença”, conclui Leliane Alencar.

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