Morte de Titina Medeiros expõe desafio no diagnóstico do câncer de pâncreas
Especialista explica por que a doença costuma ser identificada em estágios avançados e quais sinais merecem atenção
A morte da atriz Titina Medeiros aos 48 anos, neste domingo (11), reforça a urgência do diagnóstico precoce do câncer de pâncreas. Assim como no caso do apresentador Edu Guedes, que descobriu a doença por acaso ao investigar uma crise renal, a maioria dos pacientes recebe o diagnóstico tardiamente.
Segundo o [b]Dr. Lucas Nacif[/b], cirurgião gastrointestinal e membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia Digestiva (CBCD), isso ocorre por sua característica de agressividade e porque, em muitos casos, ele costuma ser silencioso nos estágios iniciais, o que dificulta a descoberta precoce.
De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), o Brasil registrou cerca de 10.980 casos novos da neoplasia em cada ano do triênio 2023-2025. A literatura médica ainda aponta que, até 2030, a doença poderá ser a segunda causa de morte por câncer no mundo.
[b]Mas afinal, como a doença se desenvolve?[/b]
O pâncreas é uma glândula localizada atrás do estômago e tem funções fundamentais na digestão e na produção de hormônios como a insulina. O câncer aparece quando as células deste órgão passam a se multiplicar de maneira descontrolada, formando um tumor que pode invadir tecidos próximos ou se espalhar para outras partes do corpo.
Entre os tipos de câncer pancreático, o mais comum e também o mais agressivo é o adenocarcinoma pancreático. “Ele se desenvolve nas células pancreáticas e costuma ter um comportamento bastante invasivo, podendo ser do tecido pancreático ou dos ductos pancreáticos”, afirma Nacif.
[b]Sinais de alerta e fatores de risco[/b]
Os sinais mais comuns incluem dor abdominal, emagrecimento rápido, cansaço, perda de apetite, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes mais claras que o normal e, às vezes, uma massa palpável no abdômen. No entanto, eles variam de acordo com a localização do tumor dentro do órgão.
Embora o câncer de pâncreas possa afetar qualquer pessoa, de acordo com o cirurgião gastrointestinal, existem fatores que aumentam significativamente o risco, “como tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a obesidade, o diabetes tipo 2, o colesterol desregulado e o sedentarismo”, relata. Além disso, a alimentação também exerce influência: dietas ricas em alimentos ultraprocessados estão associadas a maior risco.
[b]Como é feito o diagnóstico[/b]
Na maior parte das vezes, o diagnóstico começa a partir da investigação de sintomas inespecíficos ou de achados através da busca por outros motivos. A avaliação clínica é o primeiro passo, seguida por exames laboratoriais e de imagem, como tomografia, ressonância magnética e ultrassom endoscópico. Em alguns casos, a confirmação depende de uma biópsia.
Em relação ao tratamento do câncer de pâncreas, o Dr. Nacif alerta que ele depende diretamente do estágio em que a doença é descoberta. Quando o tumor está restrito ao órgão e não há metástases, a cirurgia é a principal abordagem e pode ser curativa. Casos mais avançados exigem estratégias combinadas, como quimioterapia, radioterapia e, em alguns casos, imunoterapia.
Segundo o especialista, assim como em grande parte dos tumores oncológicos, o ideal não é esperar por sintomas e adotar uma postura preventiva. “É fundamental manter um acompanhamento regular com exames de rotina, tanto exames de sangue quanto de imagem, para rastrear precocemente qualquer alteração”, finaliza o Dr. Lucas Nacif.
[b]Dr. Lucas Nacif[/b]: Médico gastroenterologista com especialidade em cirurgia geral e do aparelho digestivo. Lucas Nacif é reconhecido por sua expertise em cirurgias hepato bilio pancreáticas e transplante de fígado, utilizando técnicas avançadas minimamente invasivas por laparoscopia e robótica. O especialista é membro da Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) e está disponível para abordar temas relacionados ao aparelho digestivo, desde doenças, como gordura no fígado; câncer colorretal; doenças inflamatórias intestinais; pancreatite até cirurgias e transplantes em geral. Link e [url=http://www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/]www.instagram.com/dr.lucasnacif_gastrocirurgia/[/url]
