A obesidade foi reconhecida como uma doença crônica e que necessita de tratamento contínuo apenas em 2013, a partir da classificação da American Medical Association, que posteriormente se estendeu para a Organização Mundial da Saúde (OMS) e demais entidades médicas internacionais. Esse atraso na declaração da obesidade como doença, gerou impactos que perpetuam até hoje, como a estigmatização que associa a condição ao simples fato de “comer muito”, e torna a alimentação um dos maiores desafios no tratamento da obesidade. Desafio esse, que com a chegada de terapias inovadoras, ressaltou a importância da nutrição como aliada indispensável do tratamento medicamentoso para uma perda de peso saudável.
A alimentação é um pilar fundamental na prevenção e abordagem terapêutica da obesidade, e o desconhecimento da complexidade da doença faz com que essa peça-chave seja vista como vilã, gerando afastamento de pacientes do tratamento, introdução de dietas insustentáveis, e ciclos periódicos de perda e recuperação de peso. Diante desse cenário preocupante para as pessoas que convivem com a doença, a inovação provocada pelos medicamentos análogos do receptor de GLP-1 trouxe inovação no tratamento. Adicionalmente, novas alternativas terapêuticas também trouxeram novas considerações no que se refere aos hábitos alimentares, já que os efeitos das medicações aumentam a saciedade e promovem a redução de apetite.
A nutricionista Juliana Saldanha, PhD em Ciências Médicas pela Universidade Federal Fluminense (UFF-RJ), explica que o planejamento alimentar durante o processo farmacológico de perda de peso busca prevenir a desnutrição, proporcionar equilíbrio nas refeições e contribuir com a construção de hábitos duradouros. “No consultório, observamos uma redução de apetite entre esses pacientes, o que pode levar a uma baixa nutricional. É preciso ajustar a qualidade do que vão ingerir, favorecendo vitaminas e minerais, alimentos de origem vegetal e proteína. Dessa forma, o paciente perde peso sem perder músculo e saúde, e o principal, sendo capaz de sustentar esse peso a longo prazo de maneira saudável”, esclarece a especialista.
A profissional ressalta a importância de uma abordagem multidisciplinar no tratamento para que todas as carências individuais do paciente sejam atendidas, e reforça que a compreensão de que uma pessoa com obesidade não chegou nesse quadro por “comer demais” é necessária para humanizar o paciente e libertá-lo da culpa que o afasta do acompanhamento médico e manejo necessário. “É a doença que ocasiona um excesso de ingestão calórica, já que ocorre um processo inflamatório no hipotálamo que interfere na resistência aos hormônios da saciedade”, complementa. A disfunção metabólica que a obesidade provoca também é responsável pelo aumento do risco de doenças do coração, e por isso, ajustar a dieta combinada à medicação prescrita, simboliza o tratamento mais eficiente e seguro disponível hoje.
