Um levantamento da Confederação Nacional do Transporte (CNT), em 2022, mostrou que 5.432 pessoas morreram e 72 mil ficaram feridas em acidentes de trânsito no Brasil.1 O aumento no número de vítimas em comparação com 2021, evidenciado pelos dados da CNT, levanta um alerta sobre uma questão grave e pouco discutida quando se fala em acidentes de trânsito: as sequelas.
Isto posto, a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) apoia o Movimento Maio Amarelo, criado para conscientizar sobre a importância da segurança no trânsito. “Os sobreviventes desses acidentes, muitas vezes, apresentam graves sequelas adquirindo limitações funcionais para o resto da vida, como a perda da capacidade de andar ou até mesmo de trabalhar”, pontua o João Antonio Matheus Guimarães, presidente da SBOT.
Além da incapacidade física, as vítimas de acidentes de trânsito e seus familiares também podem sofrer com um prejuízo financeiro. Segundo dados da Caixa Econômica Federal, entre janeiro de 2021 e março de 2023, 62% dos pagamentos feitos foram para indenização de invalidez permanente.2 “O custo do tratamento é alto e o longo tempo de recuperação pode causar o adoecimento psicológico e um déficit econômico, causando um desequilíbrio nas famílias”, acentua o presidente.
Justamente para reduzir o número de acidentes e suas consequências, a SBOT tem lutado ao longo dos anos pelo uso do capacete pelos motociclistas, da cadeirinha segura para as crianças nos veículos, pela conscientização de que não se pode beber e dirigir e pelo perigo que representa o uso do celular e a distração que causa ao motorista que está dirigindo. “A participação da SBOT em ações para conscientização para um trânsito mais seguro faz parte da sua missão. Afinal, são os ortopedistas que acompanham desde o primeiro atendimento nos pronto-socorros até a recuperação dessas vítimas, que poderão carregar sequelas para o resto da vida”, finaliza Guimarães.
Sobre o Maio Amarelo
A campanha “Maio Amarelo” é uma iniciativa do Observatório Nacional de Segurança Viária. A proposta é chamar a atenção da sociedade para o alto índice de mortos e feridos no trânsito. O mês foi escolhido com base no decreto da Década de Ação para Segurança no Trânsito pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 11 de maio de 2011. O objetivo é alcançar a meta de reduzir pela metade o número de vítimas de acidentes de trânsito em todo o mundo.
Hoje, em meio a segunda década de ação definida pela organização, os acidentes continuam sendo recorrentes. Conforme informações fornecidas pelo DATASUS, em 2022 mais de 193 mil pessoas se envolveram em acidentes de trânsito, que não podem ser reduzidos a meras fatalidades, uma vez que grande parte dessas ocorrências poderia ter sido evitada com boas condutas.
Fontes:
1. Painel CNT de Acidentes Rodoviários.
2. Portal de notícias da Caixa.
