Um grande estudo publicado no dia 23 de março na revista científica PLOS Medicina e conduzido por pesquisadores britânicos da Universidade de Oxford avaliou se métodos contraceptivos hormonais estavam relacionados com câncer de mama. É verdade que já havia dados de pesquisas prévias que mostravam um discreto aumento do risco da doença com o uso de anticoncepcional oral combinado (estrógeno e progesterona). A novidade, porém, é que não se tinha informações sobre esse risco com o uso de progesterona isolada, que é um método que cresceu muito na última década e que também foi avaliado nesse estudo.
Considerando que o risco de câncer de mama aumenta com a idade, os autores calcularam o excesso de risco absoluto associado aos contraceptivos hormonais no decorrer do tempo, e encontraram os seguintes resultados:
Para as mulheres que tomaram anticoncepcionais durante um período de cinco anos entre os 16 e 20 anos de idade, isso representa 8 casos de câncer de mama a cada 100 mil indivíduos;
Já entre os 35 e 39 anos, foram 265 casos a cada 100 mil.
“A partir desses dados, eu diria que com o envelhecimento já há aumento do risco de câncer de mama e que o aumento visto nesse estudo é pequeno. Além disso, esse risco precisa ser comparado com os benefícios do uso de anticoncepcionais, que incluem comprovadamente a diminuição dos cânceres de ovário e endométrio por exemplo. Na prática, cada usuária de contraceptivo, seja ele combinado ou isolado, deve discutir com seu médico a melhor atitude, sem jamais interromper por conta própria a medicação”, reforça a oncologista Isabella Drumond Figueiredo, pós-graduanda em oncologia mamária pelo Hospital Israelita Albert Einstein e em gestão de saúde pela Fundação Getúlio Vargas.
O estudo foi realizado por meio da análise da prescrição de métodos contraceptivos no Reino Unido de, aproximadamente, 10 mil mulheres com menos de 50 anos que tiveram diagnóstico de câncer de mama em comparação às que não tiveram a doença. “Foi realizada uma metanálise, ou seja, os dados foram colocados em perspectiva em relação a outros estudos. E, dada a magnitude desse trabalho, tendemos a considerar que seu resultado seria reproduzível em outras populações, inclusive a brasileira”, esclarece a doutora Isabella Drumond Figueiredo, que também atua no Hospital da Mulher e no Hospital Municipal Vila Santa Catarina e foi observership no Tom Baker Cancer Centre, no Canadá.
