Home Notícias Apenas 25% dos pacientes que precisam de TMO conseguem doador totalmente compatível dentro da família

Apenas 25% dos pacientes que precisam de TMO conseguem doador totalmente compatível dentro da família

by RcpxRaquelADM

Com 1 ano e 7 meses, Lara Viegas Mota foi diagnosticada com leucemia mieloide aguda (LMA), o tipo mais comum e mais agressivo da doença. O diagnóstico veio já nos primeiros sintomas. Ela estava com umas manchinhas roxas nas pernas e nos joelhos, não conseguia mais andar e reclamava muito de dor. Fez os primeiros exames na UPA de Aruana (RJ) e, devido ao agravamento do seu estado, acabou sendo internada em um hospital da região. Ali o médico informou à família que a criança precisaria de um transplante de medula óssea (TMO) e teria de começar a quimioterapia o quanto antes.

O baque da notícia só foi amenizado cerca de quatro meses depois, quando os pais receberam o resultado do teste que a filha mais nova do casal era compatível com a irmã. Lara foi transferida para o Pequeno Príncipe, maior hospital exclusivamente pediátrico do país, com sede em Curitiba, onde o transplante foi realizado.

“No dia 11 de outubro [de 2020] chegamos em Curitiba para fazer os exames nela e preparar para o TMO. A Lia, que estava sendo preparada para doar a medulinha, ficava com a minha mãe, e eu ficava reclusa com a Lara, no quarto. O transplante foi realizado no dia 30 do mesmo mês. Depois ficamos direto no Pequeno Príncipe durante 35 dias até a medula pegar. Foi no dia 22 de novembro, que foi o dia que ela renasceu”, conta mãe, Samilly Viegas de Souza.

Diferentemente de Lara, cerca de 650 brasileiros estão em busca de um doador não aparentado para passarem por um TMO, ainda que considerando as mais de 5,5 milhões de pessoas cadastradas no Registro Nacional de Doadores Voluntários de Medula Óssea (Redome). Mesmo dentro da família, a chance de conseguir alguém 100% compatível é de apenas 25%. Por isso, na véspera do Dia Mundial do Doador de Medula Óssea, celebrado no dia 17 de setembro, o Pequeno Príncipe reforça a importância da doação.

Em 2021, ano em que o Serviço de Transplante de Medula Óssea do Pequeno Príncipe completou uma década de funcionamento, foram realizados 73 procedimentos, e 33% deles contaram com doadores não aparentados. “Nesse período de atuação, nos tornamos um dos maiores centros de transplante pediátrico da América Latina, principalmente na área de transplantes alogênicos [quando as células transplantadas vêm de outro doador]”, explica a médica-chefe do serviço, Carmem Maria Sales Bonfim.  

O Hospital dispõe de uma pessoa exclusivamente dedicada à busca de doadores e que pode identificar rapidamente as chances que um determinado paciente tem para encontrar um doador nos bancos nacionais ou internacionais. “Mas se esta chance for pequena ou a disponibilidade não for imediata, temos experiência para prosseguir com outros tipos de doadores”, informa a chefe do serviço.

Em média, 60 transplantes são realizados anualmente pelo Serviço de TMO do Pequeno Príncipe que é referência nacional em procedimentos com doadores haploidênticos – quando a compatibilidade não é de 100%. O atendimento de crianças de pouca idade é outra especialidade que faz com que o Hospital receba pacientes de todo o país, como a Lara, que veio do Rio de Janeiro. Cerca de 61% dos atendimentos são de fora de Curitiba.

Sobre o Serviço de TMO

Além do tratamento de doenças malignas como a leucemia, o serviço de TMO do Pequeno Príncipe atende ainda pacientes com falências medulares adquiridas e hereditárias, imunodeficiências primárias e doenças raras. Ao longo de sua trajetória, mais de 400 crianças e adolescentes tiveram a vida transformada pela realização do procedimento no Hospital. O sucesso se deve também à assistência ofertada pela equipe multidisciplinar. Médicos com formação em transplante pediátrico contam com o suporte de profissionais de outras especialidades para uma atuação de excelência. O serviço também atua em parceria com as unidades de terapia intensiva do Pequeno Príncipe, o Laboratório Genômico e o Instituto de Pesquisa Pelé Pequeno Príncipe, por exemplo. Esse trabalho em equipe garante um atendimento de excelência e faz toda a diferença no tratamento dos pacientes e nos resultados dos transplantes.

Quem pode ser doador de medula óssea?

Para tornar-se um doador de medula óssea, alguns requisitos são necessários:

– ter entre 18 e 35 anos para efetuar seu cadastro;

– estar em bom estado geral de saúde;

– não ter doença infecciosa ou incapacitante;

– não apresentar doença neoplásica (câncer), hematológica (do sangue) ou do sistema imunológico; e

– algumas complicações de saúde não são impeditivas para doação, sendo analisado caso a caso.

 

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