Congresso de Cardiologia – SOCESP – apresenta estudos inéditos na prevenção e tratamento das doenças coração.
Os trabalhos contemplam todas as subáreas da especialidade com destaque para temas envolvendo tecnologia e aplicação da IA, cardiologia da mulher, obesidade, cardiologia em idosos, esporte e coração, espiritualidade e até estudo sobre o vinho e a saúde cardiovascular
Centenas de pesquisas inéditas, realizadas em diferentes regiões do Brasil e com potencial para impactar a prática clínica da cardiologia, serão apresentadas no 46º Congresso da SOCESP, nos dias 4, 5 e 6 de junho, no Transamerica Expo Center, em São Paulo/SP. As doenças cardiovasculares seguem como a principal causa de mortes no país, com cerca de 400 mil óbitos por ano, e os estudos sobre prevenção e tratamento contemplam não apenas a cardiologia, mas também profissionais da saúde como nutricionistas, educadores físicos, fisioterapeutas, enfermeiros, entre outros.
Os melhores trabalhos da sessão de Temas Livres serão premiados durante o evento em quatro categorias: Prêmio Jovem Investigador, Melhor Pesquisa Básica, Melhor Pesquisa Clínica e Prêmio Mérito Interdisciplinar. Todos os estudos aprovados e que serão apresentados já estão disponíveis no site do congresso. A seguir, alguns destaques organizados por subcategorias:
Aterosclerose e dislipidemia
Análise epidemiológica das internações hospitalares por aterosclerose no estado de São Paulo
O estudo identificou crescimento expressivo das internações por aterosclerose no estado de São Paulo, principalmente entre pessoas acima dos 60 anos e do sexo masculino. Os pesquisadores destacam que o envelhecimento populacional e a exposição prolongada aos fatores de risco cardiovasculares ajudam a explicar o aumento dos casos. Os dados reforçam a importância de medidas preventivas ao longo da vida, como controle do colesterol, pressão arterial, diabetes, sedentarismo e tabagismo.
O infarto agudo do miocárdio (IAM) é igual entre homens e mulheres? Análise epidemiológica da população de 50 a 79 anos no estado de São Paulo (2020–2025)
O levantamento registrou quase 200 mil internações por infarto entre 2020 e 2025 no estado de São Paulo, com predominância de homens. Apesar disso, pesquisadores observaram redução gradual da mortalidade tanto masculina quanto feminina no período analisado. O estudo também chama atenção para a relevância do infarto como causa de morte na capital paulista e reforça a necessidade de ampliar estratégias de prevenção cardiovascular.
Cardiogeriatria
Distribuição regional da mortalidade por infarto agudo do miocárdio em idosos no Brasil, 2019–2024
O estudo revela que mais de três quartos das mortes por infarto no Brasil ocorreram entre idosos. A região Sudeste concentrou o maior número de óbitos, seguida pelo Nordeste. Os dados evidenciam o impacto do envelhecimento populacional sobre as doenças cardiovasculares e reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas ao cuidado da população idosa.
Perfil epidemiológico das internações por infarto agudo do miocárdio em idosos longevos no estado de São Paulo (2015 – 2024)
Pesquisadores identificaram aumento de mais de 50% nas internações por infarto entre pessoas com 80 anos ou mais no estado de São Paulo na última década. O número de hospitalizações foi maior entre mulheres, acompanhando a maior expectativa de vida feminina. O estudo destaca o desafio crescente do atendimento cardiovascular em idosos longevos.
Cardiologia da Mulher
Análise comparativa da letalidade intra-hospitalar por infarto agudo do miocárdio entre mulheres e homens no Sistema Único de Saúde (2014-2024)
O estudo analisou mais de 1 milhão de internações por infarto no SUS e identificou maior mortalidade entre mulheres. Segundo os pesquisadores, mulheres internadas por infarto apresentaram risco de morte 36% maior do que os homens. Os resultados reforçam a necessidade de ampliar o diagnóstico precoce e o reconhecimento dos sintomas femininos da doença cardiovascular.
Análise contemporânea da mortalidade por infarto agudo do miocárdio em mulheres jovens no Brasil
O trabalho aponta um preocupante “rejuvenescimento” do infarto entre mulheres brasileiras. Entre 2015 e 2024, mais de 66 mil mulheres com menos de 60 anos morreram em decorrência do IAM. O estudo destaca desigualdades regionais importantes, com piores indicadores no Norte do país, e alerta para falhas na prevenção cardiovascular em mulheres jovens.
Cardiologia do Esporte
Mortalidade por Arritmias Cardíacas e AVC em Jovens no Estado de São Paulo
O estudo mostra crescimento importante da mortalidade por arritmias e AVC em jovens adultos no estado de São Paulo. O AVC foi responsável por quase dois terços das mortes analisadas, com aumento expressivo após os 40 anos. Os pesquisadores alertam para o impacto acumulado dos fatores de risco cardiovasculares ainda na juventude e para a necessidade de diagnóstico precoce das arritmias.
Emergências Cardiovasculares
Mortalidade por doenças cardiovasculares no Brasil: atualização dos últimos 5 anos
Entre 2020 e 2024, quase 2 milhões de brasileiros morreram por doenças cardiovasculares. As doenças isquêmicas do coração e os AVCs responderam por mais da metade dos óbitos. O Sudeste concentrou a maior parte das mortes, especialmente o estado de São Paulo. O estudo reforça que as doenças cardiovasculares seguem como principal causa de morte no país.
Educação Física
Comparação entre os sexos dos efeitos do treinamento aeróbico na função cardiovascular de idosos hipertensos
Pesquisadores observaram que o treinamento aeróbico promove benefícios semelhantes em homens e mulheres idosos com hipertensão arterial. A prática regular ajudou a reduzir a pressão arterial e melhorar a função vascular, reforçando a importância da atividade física no controle da hipertensão e na prevenção cardiovascular em idosos.
Medicina do Estilo de Vida
Bem-estar espiritual em idosos de grupo de convivência com atividade física e dinâmicas de espiritualidade
O estudo sugere que a combinação de atividade física e práticas voltadas à espiritualidade pode contribuir para melhorar o bem-estar emocional e social de idosos atendidos em ambulatório cardiológico. Os participantes apresentaram altos índices de bem-estar espiritual, com destaque para sentimentos de paz, resiliência e conexão social.
Morfometria Cerebral e Vinho Tinto: Avaliação dos Efeitos do Consumo Moderado no Envelhecimento Saudável
Pesquisadores não encontraram alterações significativas na estrutura cerebral de adultos que consumiam vinho tinto de forma moderada em comparação aos abstêmios. Os resultados sugerem equilíbrio entre possíveis efeitos negativos do álcool e potenciais benefícios dos compostos antioxidantes presentes no vinho, como o resveratrol. Os autores ressaltam, porém, que são necessários estudos de longo prazo.
Prevenção Cardiovascular
A inversão da curva: análise da tendência de mortalidade por doenças cerebrovasculares em adultos jovens no Brasil (2014-2024)
O estudo identificou uma mudança preocupante na mortalidade por doenças cerebrovasculares entre adultos jovens no Brasil. Após anos de queda, os óbitos voltaram a crescer a partir de 2020, especialmente entre pessoas de 40 a 49 anos. Os pesquisadores alertam para possíveis falhas no controle da hipertensão arterial e na prevenção cardiovascular da população economicamente ativa.
Impacto da Cobertura Vacinal contra Influenza nas Internações por Insuficiência Cardíaca durante o Inverno
A pesquisa mostra que regiões com menor cobertura vacinal contra influenza registraram mais internações por insuficiência cardíaca durante o inverno, principalmente entre idosos. O estudo destaca ainda que desigualdades sociais também influenciam o aumento das hospitalizações, reforçando a importância da vacinação e da redução das disparidades regionais em saúde.
Síndrome Coronariana Aguda
Disparidades socioeconômicas na mortalidade hospitalar por IAM no Brasil: análise por IDH municipal (2020–2024)
O estudo mostra que fatores sociais e econômicos influenciam diretamente a mortalidade por infarto no Brasil. Municípios com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) apresentaram maiores taxas de óbito, mesmo após ajustes estatísticos. Baixa escolaridade também apareceu como fator importante associado à mortalidade cardiovascular.
Infarto Agudo do Miocárdio em Jovens no Brasil: Tendências, Custos e Mortalidade Hospitalar (2015-2024)
O levantamento registrou mais de 47 mil internações por infarto em jovens brasileiros em dez anos. Apesar da redução geral da mortalidade hospitalar, mulheres jovens continuaram apresentando risco de morte significativamente maior do que homens da mesma faixa etária. O estudo reforça a necessidade de ampliar a prevenção cardiovascular também entre adultos jovens.
Síndrome Coronária Crônica
Metas lipídicas mais rigorosas são alcançáveis no SUS? Análise de registro de pacientes com doença coronária
O estudo mostra que poucos pacientes atendidos pelo SUS conseguem atingir as metas ideais de colesterol recomendadas pelas diretrizes médicas. Mesmo utilizando estatinas potentes, apenas pequena parcela dos pacientes apresentou níveis adequados de LDL-c (“colesterol ruim”). Os pesquisadores defendem ampliação do acesso a terapias combinadas para melhorar a prevenção de novos eventos cardiovasculares.
Metanálises
Disparidades Étnico-Raciais no Risco Cardiovascular e no Acesso a Terapias no Brasil: uma revisão sistemática e metanálise com subanálise do estudo ELSA-Brasil
A análise de mais de 2 milhões de participantes mostrou que pessoas pretas e pardas apresentam maior prevalência de hipertensão arterial e pior controle da doença no Brasil, mesmo após considerar fatores como renda e escolaridade. Os resultados apontam influência de desigualdades estruturais e reforçam a necessidade de políticas públicas voltadas à equidade no acesso à saúde cardiovascular.
Tecnologia e IA
Estudo descritivo sobre a Tele-eletrocardiografia no estado de São Paulo – Uma experiência de dez anos
O trabalho demonstra como a telemedicina vem ampliando o acesso ao diagnóstico cardiovascular no estado de São Paulo. Em dez anos, a rede de tele-eletrocardiografia expandiu significativamente e hoje realiza mais de 7 mil exames por mês, com emissão rápida de laudos (em menos de 10 minutos), especialmente em emergências. O modelo pode ajudar a reduzir desigualdades regionais no acesso à cardiologia.
Impacto da inteligência artificial no rastreio, diagnóstico e preditor de risco cardiovascular dos perfis eletrocardiográficos em território nacional: análise do conjunto de dados CODE-II
A pesquisa avaliou milhões de eletrocardiogramas e mostra o potencial da inteligência artificial para melhorar o rastreamento e o diagnóstico cardiovascular no Brasil. Segundo os pesquisadores, a tecnologia pode reduzir erros diagnósticos, agilizar o atendimento de casos urgentes e otimizar fluxos de trabalho em saúde. Hipertensão, diabetes e tabagismo apareceram entre as principais condições associadas aos exames analisados.
46º Congresso de Cardiologia da SOCESP
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