A sociedade do cansaço que faz uso de energéticos para ter um bom desempenho e fármaco para dormir e produzir
Discussão sobre como a pressa tem adoecido as pessoas foi realizada na Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio
A Faculdade Presbiteriana Mackenzie Rio realizou uma discussão muito profunda e atual sobre como a sociedade vive cansada por achar que deve dar conta de tudo. A professora e doutora em Psicologia, Patrícia da Motta Vieira Figueredo, inicia o debate comentando que a positividade afasta os problemas e, com isso, o indivíduo não percebe quando está passando dos seus próprios limites.
Hoje, a sociedade vive hiperconectada, produtiva o tempo inteiro, que “não tem tempo a perder” e pressionada por uma positividade forçada — muitas vezes alimentada por influenciadores digitais que vendem uma rotina inalcançável de sucesso e disciplina. Esses influenciadores seguem uma vida regrada e afirmam viver um modelo ideal, fazendo com que seus seguidores acreditem que essa é a forma certa, banalizando totalmente quem verdadeiramente são. “Se eu não me percebo, como posso perceber o outro? Eu vejo que a pessoa mais jovem é mais multitarefa, e com isso vivem numa produção constante. Precisam acordar cedo, ir para a academia, estudar, ler, sair, se divertir, assistir a uma série…e como resultado uma sociedade doente, frustrada, com sentimento de culpa e desumanizada. Com isso, fazem o consumo desenfreado de suplementos para ter energia e remédios para dormir”, comenta a professora.
Outro ponto que a especialista trouxe foi que atualmente diagnosticar se tornou algo importante, pois é de interesse da indústria farmacêutica que todos sejam medicados. Sabe-se que o uso dos remédios é realmente considerável quando se precisa fazer um tratamento, mas muitos estão banalizando o uso deles. A “doença da pressa” é tão grave que ninguém mais tem tempo para ouvir o outro. A escuta sensível e ativa não existe mais nas relações interpessoais. “Estamos vivendo para produzir e não para existir”, destacou.
Esse debate foi importante para mostrar como a vida precisa de pausas. Quanto mais pessoas medicadas, mais pessoas apáticas e alienadas circulam pelo mundo. Para isso, a busca de um profissional da área para ouvir e orientar que ela saia dessa correria é fundamental. O ser humano precisa se reconectar consigo mesmo e com o outro, resgatando a empatia, a escuta e o cuidado genuíno — elementos essenciais para a saúde emocional em tempos de exaustão coletiva.
