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Estudo da Unifesp avalia a percepção da população em relação aos genéricos

by RcpxRaquelADM

Um estudo realizado pelo Grupo Interdepartamental de Economia da Saúde (GRIDES) da Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), em parceria com a empresa Foco Opinião, avaliou a percepção da população brasileira em relação aos medicamentos genéricos. Realizado entre abril e maio de 2013, o trabalho contou com a participação de cinco mil pessoas com idade entre 15 e 99 anos, em 16 capitais brasileiras, das cinco regiões do Brasil, e foi publicado na revista BMC Public Health.

De acordo com a pesquisa, 58,8% dos entrevistados consideraram os genéricos medicamentos de efetividade equivalente ao seu respectivo medicamento de referência. Apesar da percepção positiva encontrada pelo grupo, quase um terço da população (30,4%) disse acreditar que os genéricos são medicamentos menos efetivos. Foi observado também que a maior utilização de medicamentos de genéricos nos últimos três meses ocorreu na população feminina (49,2%) e na população acima de 65 anos de idade (61,1%).

Além disso, 59,2% disseram que prefeririam tomar o medicamento de referência num cenário onde os preços fossem parecidos e 41% relataram que os genéricos são mais apropriados para doenças menos graves. “Esses resultados sugerem uma subutilização do medicamento ou um aumento da desconfiança na utilização desses medicamentos no caso de uma doença mais grave”, explica a farmacêutica Elene Paltrinieri Nardi, estudante de mestrado da Unifesp e uma das autoras do estudo.

Percepção negativa

Ao contrário do que era esperado, a população de menor renda expressou uma maior desconfiança em relação aos genéricos, sendo que 32,4% da população que recebia até dois salários mínimos mensais acreditaram que os genéricos são medicamentos menos efetivos, enquanto que 24,3% da população que recebia mais de 10 salários mínimos concordaram com a mesma afirmação. Além do grupo de menor renda, pessoas com idade mais avançada também apresentaram uma percepção mais negativa em relação aos genéricos quando comparadas com pessoas mais jovens.

“As visões mais negativas em relação aos genéricos, observadas em pessoas de menor renda e mais idosas, levantam preocupações, pois esses grupos da população possuem uma maior necessidade de aquisição de medicamentos que tenham custos reduzidos, seja por uma restrição orçamentária ou pela concomitância de doenças crônicas e consequentemente utilização de um maior número de medicamentos”, conclui a pesquisadora.

Histórico e perspectivas

Os medicamentos genéricos foram estabelecidos no Brasil pela Lei nº 9.787 de fevereiro de 1999 como uma forma de fortalecer o acesso da população a medicamentos com melhor qualidade, mais seguros [url=https://www.orologiitaliareplica.com/]orologi replica italia[/url] e com preços mais acessíveis. Eles apresentam o mesmo princípio ativo, concentração, forma farmacêutica, via de administração e indicação terapêutica que o seu respectivo medicamento de referência.

Apesar disso, mais de 15 anos depois, a sua aceitação e substituição ainda geram dúvidas na população. “Este trabalho pode contribuir para a formulação de políticas públicas de saúde que favoreçam o aumento do acesso da população a medicamentos seguros e com qualidade, além de auxiliar na formulação de estratégias que visem à otimização dos gastos em saúde com medicamentos”, complementa o diretor do GRIDES, Marcos Bosi Ferraz.
 

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