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Setembro Amarelo chama atenção para dependência digital

by RcpxRaquelADM

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Há um número significativo de pessoas que, hoje em dia, é incapaz de ficar sem o smartphone. Estar conectado o tempo todo se tornou algo usual. Hoje em dia, bateria fraca e sinal ruim são verdadeiros vilões; o wi-fi, então, virou item obrigatório. Apesar de tudo isso parecer inofensivo, normal, pode na verdade afetar e muito a saúde mental e virar até mesmo um vício.

O problema já ganhou, inclusive, um termo próprio: Nomofobia, expressão que vem do inglês “no mobile”, que significa “sem celular”, mais o sufixo “fobia” (medo): medo/pavor de ficar sem o celular. Dentre os prejuízos ligado à condição estão alteração na produtividade diária, problemas sérios de concentração e atenção, ansiedade e insônia.

Segundo o psiquiatra da Clínica Maia, Dr. Daniel Kawakami, a dependência digital e? um quadro complexo e relativamente recente. Em termos psiquiátricos, ela pode ser considerada como uma dependência da mesma forma que outros vícios, sejam eles ligados às substâncias ou de caráter comportamental (como o jogo patológico e afins). “Com o uso intenso de dispositivos móveis, já se observa que ha? um prejuízo funcional significativo nas outras esferas normais do comportamento humano. Por isso, a nomofobia deve ser diagnosticada com cautela e, para isso, é fundamental investigar caso a caso, identificar e tratar também qualquer transtorno mental pre?- existente”, aponta.

O surgimento da pandemia, inclusive, fez com que houvesse uma maior oportunidade para que esse fenômeno se acentuasse cada vez mais, principalmente em relação às crianças e adolescentes, fazendo com que a interação social real, que agora esta? impedida devido ao distanciamento social necessário e a ausência de aulas escolares presenciais, afetasse e muito a questão lúdica tão essencial para os pequenos

Sendo assim, principalmente com relação aos jovens, o psiquiatra destaca que, como em qualquer dependência, é preciso estar atento ao surgimento de sinais que indiquem que a criança e/ou adolescente passem mais tempo navegando nos meios eletrônicos do que se ocupando com outras tarefas. Se houver, por exemplo, negligência com a alimentação e mesmo com a higiene, pode haver aí um problema.

“Esse tipo de comportamento se assemelha ao provocado pelo vício em substâncias psicoativas, tais como a cocaína e o álcool. Desse modo, alguns estudos correlacionam como possíveis sintomas da nomofobia alterações respiratórias, tremores, transpiração intensa, ansiedade, agitação, desorientação e taquicardia”, esclarece o médico.

E mais! Estudos indicam que a depressão, que atualmente e? um problema crescente entre os jovens, esta? também relacionada com um maior tempo diário de tela entre os adolescentes. Ha? indícios de que um tempo maior do que duas horas por dia de exposição a dispositivos digitais esta? associado ao surgimento acentuado de sintomas depressivos entre 5 e 18 anos de idade. Portanto, os pais devem estar atentos ao tempo em que os filhos ficam na frente do celular/computador/videogame, e também como reagem quando são privados das telas, ou seja, quando podem apresentar a fobia de ficar sem a tecnologia.

“O tratamento médico de problemas decorrentes desse tipo de dependência tecnológica visa principalmente tratar os sintomas. Atualmente, as modalidades de tratamento são muito limitadas devido ao conceito da doença, que e? novo. No entanto, pode incluir a terapia cognitivo-comportamental combinada com intervenções medicamentosas, que mostram resultados promissores. Alguns estudos indicam que existem remédios bastante eficazes no tratamento de sinais do problema, a exemplo dos antidepressivos”, explica Kawakami.

O especialista enfatiza também que através da psicoterapia é possível reforçar e estimular o comportamento autônomo e independente dos vícios tecnológicos. Sobretudo para os jovens, a chamada “terapia da realidade” é uma técnica importante que utiliza jardinagem, pintura, brincadeiras, entre outros recursos diferentes dos relacionados ao uso das telas, sendo uma grande aliada no tratamento.

“Os pais devem sempre motivar seus filhos a participarem de atividades ao ar livre (em tempos de pandemia, o quintal/varanda pode ser uma boa alternativa), assim como jogos recreativos e outras atividades. Isso dá a eles mais chance de enfrentamento da realidade e possibilita maior interação e relação com a família, promovendo um fortalecimento da sua capacidade de interagir com o outro em um mundo real; a energia dos jovens precisa, se possível, ser canalizada de forma criativa”, completa. 

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