Um levantamento do Inca (Instituto Nacional de Câncer) aponta que o SUS (Sistema Único de Saúde) gasta 41,1% dos recursos destinados aos tratamentos oncológicos no país apenas contra cânceres associados ao excesso de peso. A pesquisa mostra que, dos R$ 1,7 bilhão utilizados pelo sistema em 2018, R$ 700 milhões foram destinados para terapêuticas relacionadas a tumores malignos de mama, intestino grosso e endométrico. O estudo foi publicado pela revista científica Plos One.
“O excesso de peso aumenta os riscos de câncer e, aproximadamente, 30% de alguns tipos da doença estão relacionados à obesidade”, esclarece o oncologista Ramon Andrade de Mello, professor da disciplina de oncologia clínica da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo), da Uninove e da Escola de Medicina da Universidade do Algarve (Portugal).
Para mudar essa realidade, o pesquisador da Unifesp ressalta a importância da mudança de hábitos: “As pessoas devem evitar principalmente os alimentos processados e dar prioridade aos vegetais. Entre eles, o brócolis, que é rico em antioxidante e ajuda no emagrecimento. Entre as frutas, a maçã é um dos alimentos que melhor colabora para a digestão”.
Ramon de Mello indica ainda o uso da espirulina, um suplemento dietético originado de cianobactérias de algas da região da América Central: “Em 2018, a revista científica suíça chamada Marine Drugs publicou um estudo clínico (doi: 10.3390/mdl6100364) mostrando que a espirulina pode ser utilizada como tratamento complementar para a redução do colesterol, diminuição de peso e inibição do apetite”.
O oncologista orienta ainda a prática de exercícios físicos regulares durante a semana: “Mesmo durante a pandemia, podemos dedicar um tempo do nosso dia para uma caminhada ou até mesmo dispensar o elevador e subir as escadas”, sugere.
O pesquisador da Unifesp explica que o tecido gorduroso amplia a produção do hormônio estrogênio, que tem relação com o estado inflamatório sistêmico no indivíduo. Os tumores de mama endométrico são os mais comuns na obesidade feminina. Os tumores de esôfago, intestino, reto, rins e pâncreas também podem estar relacionados com a obesidade.

