“Uma em cada 10 brasileiras em idade fértil tem endometriose. Mas há grandes chances dela só saber disso depois de sofrer por mais de oito anos com cólicas terríveis e de ouvir que sua dor é psicológica ou normal. Não é. Daí a importância do Março Amarelo, que joga luz sobre o Mês Mundial da Conscientização da Endometriose; e da Câmara dos Deputados ter acabado de aprovar a criação do Dia Nacional da Luta contra a Endometriose, que será comemorado todo 13 de março”, diz a ginecologista especialista em endoscopia ginecológica Bárbara Murayama, de São Paulo, que é portadora da doença e prepara uma série de conteúdos especiais em suas redes sociais para colaborar com a luta.
Curiosidades:
— Estudo publicado em março deste ano na revista científica Advances in Therapy com 11.793 mulheres com endometriose mostrou que 35,4% delas tiveram um longo atraso em seu diagnóstico, o que fez com seus custos com assistência médica girassem em torno de 34.460 dólares. Esse valor caiu para cerca de 21.489 doláres entre as 37,7% que foram diagnosticadas num período mais curto. “Além do impacto financeiro, o diagnóstico tardio provoca um forte impacto emocional. Afinal, a dor crônica não cuidada torna-se mais difícil de tratar, danifica órgãos nobres, como bexiga e intestino, favorece o aparecimento de doenças psiquiátricas, entre elas ansiedade, pânico e depressão, e prejudica as relações pessoais e profissionais”, esclarece a ginecologista Bárbara Murayama.
— A endometriose já foi conhecida como a doença da mulher moderna por estar relacionada a muitas menstruações ao longo da vida, à gravidez tardia e à decisão de não ter filhos, entre outros fatores. “Hoje, porém, sabemos que a doença acomete uma em cada mulheres no Brasil e no mundo, logo, qualquer uma pode ser atingida, independentemente do estilo e das escolhas de vida. Apesar a endometriose não ter cura, ela pode ser bem controlada, especialmente quando diagnosticada precocemente”, completa a médica, lembrando que, além de cólicas menstruais fortes, a endometriose também provoca dores durante a relação sexual, ao evacuar e urinar e pode causar dificuldade para engravidar, infertilidade e até problemas gestacionais, como abortamento.

