As mulheres são quatro vezes mais afetadas pelo câncer de tireoide e doze mil devem ter a doença este ano, diz INCA. Novas tecnologias permitem tratamento minimamente invasivo dos nódulos e recuperação mais rápida.Cansaço excessivo, inchaço no pescoço, dificuldade para falar, mastigar e engolir, tosse constante, hipo e hipertireoidismo são os principais sintomas de nódulos na tireoide. O risco do nódulo ser câncer depende do seu tamanho, características e da presença de gânglios cervicais. História de irradiação do pescoço, radioterapia em baixas doses (principalmente na infância), história familiar de câncer de tireoide e dieta pobre em iodo são principais fatores de risco para o desenvolvimento da doença. Mas outros fatores como a obesidade, o tabagismo, exposições hormonais e poluentes ambientais são cada vez mais importantes na incidência de todos os tipos de câncer, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS).
O câncer de tireoide é o terceiro que mais afeta mulheres na região Sudeste, sem considerar os tumores de pele não melanoma e está entre os catorze tipos de câncer mais frequentes em todo o país. A expectativa de câncer de tireoide para o Brasil, em cada ano do triênio 2020-2022, é de 14 mil novos casos, sendo quase doze mil nas mulheres, cerca de quatro vezes mais que em homens. Os números registram um aumento de 20% na incidência da doença na população, em relação a 2018, de acordo com a estimativa do Instituto Nacional de Câncer (INCA).
Tipos de câncer de tireoide – “O câncer de tireoide é o mais comum da região de cabeça e pescoço e quase 80% dos casos são do tipo papilífero, que é menos agressivo e quando pequeno pode se detectar em exames de rotina”, afirma o cirurgião de cabeça e pescoço Leonardo Rangel, especialista pelo INCA, médico e pesquisador da UERJ/HUPE.
Outros tipos de carcinoma são: o folicular, (responsável por 10 a 30 % dos casos), o medular (quase 5%) e o anaplásico, que corresponde a 2%, mas é o mais agressivo, além de tumores mais raros.
Novos tratamentos e vantagens – Quando há nódulos, o diagnóstico é feito com punções aspirativas, com a ajuda de ultrassonografia. Outro exame para descobrir malignidade ou não, de forma precisa, é o teste molecular que analisa as células retiradas da tireoide. Nódulos benignos podem ser tratados pelo novo método de Ablação por Radiofrequência. A técnica é minimamente invasiva, onde a agulha da punção emite a radiofrequência no nódulo, guiada pelo ultrassom. Em poucos meses após a aplicação, o nódulo diminui e até pode ser eliminado, preservando a glândula, evitando cortes, problemas na voz e a reposição hormonal o resto da vida.
Se o diagnóstico é de câncer na tireoide, o tratamento sempre é cirúrgico. Conforme cada paciente e sua condição clínica, agora a tireoidectomia total ou parcial também pode ser feita com acesso endoscópico dentro do lábio e não só pelo pescoço como a cirurgia tradicional. “A cirurgia endoscópica é feita com equipamentos de vídeo, a câmera aumenta a imagem e muda a forma como o cirurgião manipula e enxerga as estruturas da glândula, diminuindo certos riscos, a dor no pós-operatório e a cicatriz é invisível por dentro da boca ”, afirma Rangel.
Nódulos na tireoide são comuns e geralmente benignos, mesmo assim, em caso de algum sintoma, é importante consultar um médico para que a causa seja descoberta e tratada. “O câncer de tireoide requer tanto cuidado no tratamento quanto qualquer outro tipo de câncer, não deve ser visto como um câncer mais fácil ”, finaliza Rangel.

